Querido Blogue:

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           Não tenho segredos, tenho silêncios... Alguns mais prolongados do que outros, mas são cada vez mais os silêncios.
              Qualquer dia falamos!



12-11-58/2-2-2013

4 de abril 2012
Querido blogue:
Já fui e já vim. Hoje demorou imenso tempo. O Dr. V. andava de roda da lupa e não havia maneira de dizer  fosse o que fosse. Quando falou disse «Está melhor!» Fiquei feliz e depois rematou «Todos os malandros têm sorte!»

Relembrando algumas frases memoráveis enunciadas por aqueles que me têm assistido:
«Você teve um azar do caraças!», 1988;
«A sua vida vai ser um inferno...», 1989;
«O problema das dívidas fica resolvido!», 2005;
« Todos os malandros têm sorte!», 2012.
E gosto imenso de todos eles!


3 de abril 2012
Querido Blogue:

Véspera de mais um sufoco, mais exames, consultas, angústias...
Mas estamos quase na Páscoa e a Páscoa é a celebração mais simbólica que existe. O Natal é a festa da família, mas a Páscoa é a renovação, é o renascer, é uma segunda oportunidade renascida anualmente... Ou deveria ser!
Sinto-me privilegiada por ter sido poupada duas vezes à morte. Mas, lembro sempre o que o incrível Dr. Gomes da Silva me disse, «Sorte? Você teve um azar do caraças!» Ora, como boa portuguesa que sou, fico mais reconfortada por o Afonso ter «dado a volta» na véspera do acidente, colocando-se no lado oposto à pancada, ou por ter tido o cancro na mama esquerda, o que me deixa o braço direito mais livre, uma vez que não sou canhota, dá algum jeito!
Pois é, é assim! Tenho mau feitio, digo um monte de monstruosidades que me sufocam, volta não volta, mas acho que as coisas duras por que já passei me conferiram esse direito, o de desvalorizar o que não importa e o de estimar o que me move! Acho justo!
E para aqueles que não são importantes mesmo, e que se comportam como tolos, aqui vai a mensagem:

 É nesses momentos que me calo, porque não vale mesmo a pena!

1 de abril de 2012
Querido Blogue:

Ontem deu-se um acontecimento digno de registo, foi lançada, publicamente, na Fábrica do Braço de Prata, em Lx, a obra na qual dei os primeiros passos no mundo dos livros. Não assisti, com alguma pena, mas o mais importante é ter o meu texto «A minha escola» editado numa antologia, Antologia Inverno.
Foi, de facto, um marco na minha vida, nunca pensei ter um texto publicado! Gosto de escrever, gosto muito e escrevo, sobretudo sobre o que me rodeia, o que me angustia, o que me faz feliz, ou não, e este   texto reflete o que sinto em relação à escola onde trabalho, espaço onde não me sinto feliz há uns tempos.
Mas não é sobre a escola que me apetece falar, é mesmo sobre a imensa satisfação de me sentir apreciada, de ver que há quem nos valoriza, de sentir a alegria daqueles que vivem comigo. Isso é o que importa.
Não tenho pretensões, sou desbocada e gosto de escrever. E sei o quanto consigo emocionar/emocionar-me ou magoar através da escrita, mas é assim que sou.  É tudo!



29 de março de 2012
Querido Blogue:

Há dois meses que não te olho, nem te leio... ando mais preocupada com o que não se passa na treta do facebook! Já o devia ter mandado às urtigas há que tempos! Mas que raio, parece vício! Parece quando ia ao Tó à procura de alguém, estavam sempre os mesmos, nada de novo, e nunca quem eu queria encontrar!
Mas, a pouco e pouco, a coisa vai indo! Já não ando na jogatana! Que seca, mais do mesmo, à espera das ajudas, que demoram a chegar, e da energia que se acaba, e mais esperas... Que estupidez! Já vou no terceiro jogo, espero, sinceramente, que não volte a achar que é giro, distrai... tretas!
O círculo tem vindo a fechar-se, cada vez acho mais que estava na hora de sair desta terra de cínicos e hipócritas... Mas, vendo bem, disso há em todo o lado. Em maior ou menor quantidade, a questão é sabermos como dar a volta à coisa! Que gaita, tenho 51, já não tenho idade para estas coisas!
Falar de escola? Escola? Um ninho de víboras! Já em amassaram o suficiente, como dizem por aqui, agastaram-me! Há uma elite medíocre que domina, mina, boicota, porque a inveja corrói...
Mas convenhamos, apesar de ser aí onde passo a maior parte do meu tempo no dia-a-dia, não é onde passo a maior parte da minha vida. Ora, sem ser preciso fazer as contas, o que conta é o meu espaço, a minha casa, a minha família.

E estou «de férias»! Por isso, nem falar, e muito menos ouvir falar de escola!

«P.S.» Fiquei zangada, acho que o termo nem corresponde ao grau de irritação de que fui acometida, quando soube que o pai de uma colega tinha morrido, já tinha sido o funeral e ninguém, ninguém me disse nada. Não pude prestar a minha solidariedade para com alguém que me foi dando notícias sobre o pai, em grande sofrimento, sabe-se lá porquê! Nem sei o que pensar disto, já não é o gostar de mim ou não! É bem pior do que isso.





27 de janeiro de 2012
Querido Blogue:

Esta é para alguém, ela sabe quem é!
ah, ah, ah...



24 de janeiro de  2012
Querido Blogue:

«...Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser.»

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'




O MEC desta vez, como em tantas outras, acertou na «mouche». Amigo, enquanto palavra, esgotou o sentido. Veja-se no Facebook, eu própria tenho carradas deles! Mas onde estão quando precisamos deles? Quantos são? «A friend in need is a friend indeed» dizem os ingleses, e eles lá sabem, por cá os amigos são para as ocasiões e está tudo dito.
Herdei características horrendas da minha mãe, ser desbocada e nem sempre medir as consequências do que se diz e onde se diz, são duas delas! Mas bolas! Há que se ser verdadeiro, estou farta desta merda de meio em que se diz pela frente o que não se pensa nem que se diz atrás! 
Temos a agradecer a uma tal Rodrigues que veio estragar o que já se mantinha num frágil equilíbrio. Instalaram-se poderes poderosos, fortalecidos por lobbies de interesses variados, e venha de lá a prepotência, a arrogância, a mentira, os desfiles de vaidades precedidos de títulos que não temos: doutor para cá, doutora para lá, quando não passamos de licenciados e mestres (agora, porque é bem...), sendo, de facto, raros os tais doutores. Mas fica bem... Muito bem a quem pouco mais tem a que se agarrar! 
E foi assim que parti a loiça toda, vá de pôr «cargos» à disposição de quem manda que muito bem os dispôs!
O alívio... Que se lixem os fizestes, os dissestes e por aí fora! Já não preciso de dizer que não devemos confundir o c e o q, que o q é um q e não de quá-quá (mas o que é que é isto???). Querem baldar-se? À vontade! Justificar comportamentos dos outros? Era só mais o que faltava! Justificar-me por ser exigente, cumpridora e querer que quem comigo trabalha funcione nos mesmos moldes, ser acusada de intransigente e antipática... sim, pois, está bem, mesmo.
Mas o pior nem é isto, isto é o que se vê! O que não se vê é o que não se ouve, são os sussurros atrás das portas, ao telefone, para que ninguém nos oiça, o que se escreve, por ser em privado... e depois na hora dos apertos ninguém tem nada a ver com nada, nem sabem de nada... o costume! Onde pára a lealdade? Em lado nenhum, porque, por cá, o amigo é para as ocasiões, e que convenham, caso contrário passa-se rapidamente de amigo a sacana sem qualquer pudor! E é assim que convivemos diariamente com este tipo de gentalha, que vale o que vale, e que, a bem dizer, não vale um traque!




 14 de janeiro de 2012
Querido Blogue:

Pensar que, nos dias que correm, dar a nossa opinião ou criticar aqueles que, supostamente, nos dirigem é subversão... então aqui vai o que penso de algumas almas penadas que partilham o mesmo espaço do que eu em (demasiadas) horas dos meus dias de trabalho:

Adorava poder pensar que ainda existe liberdade de expressão, um direito adquirido depois de muito sofrimento de muitos... mas não, há por aí espaços perigosos... muito perigosos... reabilitaram os queixinhas, os bufos... que tristeza, mas há que agradecer a quem engendrou isto, que promoveu a discórdia, a maledicência, a intriga com uma merda de políticas obscenas. Como diria o Lincoln, «queres conhecer o carácter de um homem? Dá-lhe poder.»

 Bufo é um género de sapos da família Bufonidae:
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, o da espécie humana consegue ser bem mais nojento e repelente!


 5 de Dezembro de 2011
Querido Blogue:

Amanhã o Afonso faz anos e eu não vou estar com ele! Grande merda...


 5 de Dezembro de 2011
Querido Blogue:

Faz hoje 27 anos que o meu pai morreu. Dia estranho e de má memória. Posta à prova, não consegui dar conta do recado. Nem uma ambulância soube chamar, ou um táxi! Só me lembrei de ir buscar a minha mãe ao trabalho, porque a funcionária do telefone disse que não conseguia passar a chamada e não era suposto sair do seu lugar de telefonista sem telefone... Pois foi!
Saí de casa para ir apanhar o autocarro! Imagine-se! Não fosse a telefonista ter um rebate de consciência e ter chamado, afinal, a minha mãe, o meu pai ter-se-ia esvaído em sangue, sozinho em casa! Lá veio a Filomena no seu mini a abrasar com a mãe lá dentro e levaram o meu pai para Santa Maria, de onde já não regressou com vida. Ficámos sem chão. As minhas irmãs não se despediram dele, e eu que o podia ter feito, não o fiz por uma ausência total de capacidade de reacção! De inteligência...
De nada teria adiantado se eu tivesse procedido de outra forma, no entanto a falta de lucidez e de capacidade para gerir uma situação grave realçou em mim uma faceta que eu desconhecia! E preferia nunca a ter descoberto desta forma.


2 de Dezembro de 2011
Querido Blogue:

Adorava ter uma memória selectiva! Mas não, tenho uma memória de elefante e lembro-me, lembro-me como se fosse ontem, sobretudo, das coisas que me entristeceram, magoaram, que me endureceram enquanto pessoa. É verdade! Podia ser ao contrário! Podia ter feito um «best of» das minhas recordações, das boas, claro! E apagar as más, que só têm contribuído para remexer e remoer um passado remoto, distante, mas sempre presente!
O que sentimos é nosso, exclusivo, às vezes é partilhado, mas mesmo nessa partilha há uma parte que é só nossa!  Tem o nosso toque, o nosso cheiro, o nosso sabor! Nem vale a pena dizer que também... não é verdade! Há sempre dois lados para a mesma história.
Ficar-se espantado por me lembrar de tantas coisas que foram acontecendo ao longo da vida não dá direito a espanto, é uma bênção, nos dias que correm, ainda não estou «esclerosada» ao ponto de me esquecer das coisas! Não reconhecer uma cara é diferente, e isso aconteceu-me com a Tucha e não me perdoo pela figura de malcriada que fiz! 
Mas o que cada um vive, a forma como o faz, a intensidade que dedica, ou o grau de mágoa que lhe atribui faz com que cada memória tenha o seu valor. E aquilo que para uns não tem qualquer valor, para nós pode ser uma razão para o prolongamento de uma tristeza que mais parece infinita!
E a vida é assim! Como dia o outro: «É a vida!» 
Fazemos do nosso dia-a-dia uma busca incansável da felicidade que se traduz em momentos cada vez mais efémeros, não esquecendo nunca a promessa de fazer quem vive connosco feliz!


 16 de Novembro, 51 anos.
Querido Blogue:

Aquela tristeza já passou, mas hoje, dia dos meus anos, estou longe dos meus filhos, dos três, pela primeira vez neste dia.
Custa-me muito, apesar de ter começado lindamente o dia! A minha querida amiga Helena Perdigão, como não podia deixar de ser, ofereceu-me uma aula diferente, pôs os miúdos a cantarem-me os parabéns e depois deixou-me uma muito agradável surpresa num saquinho! Só ela para me fazer destas coisas!
Decidi não mostrar a data dos anos no Facebook e, em vez de um mural crivado de mensagens, tantas vezes não sentidas, constato que são poucos os que sabem que faço anos! E isso não me incomoda. Sempre foi assim, o estranho é o contrário...
Mas a casa quase vazia neste dia é insuportável... Pensar que estão lá, os três, e nós aqui, custa muito. Ainda não chorei, ainda, mas está quase, porque preciso de lavar a alma, apaziguar tanta saudade... E não sei como fazê-lo senão chorando...
E de casaco novo, presente fantástico do Domingos, à espera de um bacalhau com natas, fico com esta beleza: «Reminds me of you»

17 de Agosto,
Querido Blogue:

Regressada de férias à beira-mar, pergunto-te eu: como acabar com uma tristeza imensa? Não sabes? Eu também não...

 7 de Julho 2011
Querido Blogue:

Hoje acuso! Acuso a falta de seriedade de quem nos dirige, acuso o conformismo dos acomodados, acuso a vaidade dos ambiciosos, acuso a deslealdade dos nossos pares, acuso a ambição dos cobardes, a intriga e a mentira como arma dos fracos, de quem a História não reza, mas que emperra, bloqueia, inibe... Acuso os silêncios comprometedores, a conivência silenciosa. Acuso o cinismo, a hipocrisia, a falta de profissionalismo, a falsa liderança que mascara a prepotência e a arrogância! Acuso, acuso com toda a minha raiva, o desrespeito pelo trabalho de quem tudo dá! Acuso a desonestidade, a maldade, o desprezo com que se vive no nosso dia-a-dia... Acuso a falsa modéstia, o medo, a intolerância... Acuso aqueles que se escondem atrás de um dedo apontado, acuso o provincianismo, a pequenez, a mesquinhez... Acuso um sistema que não reconhece e não valoriza o mérito, que premeia os vaidosos, que assenta em promoção pessoal!
Acuso... é só o que posso fazer. A tristeza já fez o resto...


2 de Julho 2011

Querido Blogue:

Sia - Breathe Me
Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me

Ouch I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah I think that I might break
Lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me

 28 de Junho 2011
Querido Blogue:

Já passou! Um ataque de ansiedade horrível acompanhou-me durante todo o dia! Mas a espera valeu a pena: vida normal! Isso quer dizer que os comprimidos foram às urtigas, e que só volto àquele lugar em Janeiro! YES!
Respirar fundo, pensar que o pior já passou, e que preciso, com urgência, de rever as minhas prioridades.
Esta escola não me merece, não vale a pena desgastar-me com gente pequena, tacanha, invejosa e, sobretudo, egoísta. A escola é o que nós fazemos dela e aquilo que nos deixam fazer. Quando ficamos isolados nas iniciativas, quando não reconhecem o valor, o esforço, a qualidade, deixa de fazer sentido! Valem-me os miúdos, para quem eu trabalho...
Por isso, querido Blogue, agora mais tranquila, o Dr. Sérgio tem esse poder no final de cada consulta, vou preparar-me para acabar as minhas tarefas de escola, mas vou preparar-me com toda a certeza para um descanso bem merecido com o Domingos e os miúdos! Estamos mesmo a precisar.
Em Janeiro, novo ano...



27 de Junho 2011
Querido Blogue:

Já queria que fosse amanhã, por esta hora! E que aquelas três palavras horrorosas, cancro, consulta, oncologia, já não tivessem de ser pronunciadas...
Há seis anos estava completamente esgotada, tinha terminado o ano com a peça Ulisses, uma adaptação minha e dos meus alunos da obra de Maria Alberta Meneres (não ponho acento porque é um preciosismo, a senhora que me desculpe...). Foi uma manhã do melhor, aquelas turmas fizeram um trabalho espantoso e divertimo-nos imenso! Mas o cansaço escondia um cancro, a tristeza que me causou a ida da Inês para Lisboa foi só mais um sinal de um cancro escondido, mas a querer dar nas vistas. Depois o cansaço acumulou-se, e um gânglio apareceu, ali num sítio improvável, mas que era o que era: cancro da mama.
Anos duros e difíceis me esperavam, a mim e à minha família. Já passaram seis anos. Acabei há três dias a última embalagem do Letrozol, aquele medicamento anti-neoplásico que me acompanha há cinco anos. Ainda não tive autorização para suspender a medicação, mas seja o que Deus quiser! Pode ser que já não precise mesmo.
Estou angustiada, cheia de medo, em pânico, só de pensar em consultas dá-me um calafrio! Mas, como sempre, tem de ser...