domingo, 24 de abril de 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Prince - When Doves Cry, a minha...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ludovico Einaudi - Live Radio KCRW

The Little Great Prince

Prince, RIP

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Eric Clapton “Can’t Let You Do It” (Official Lyric Video)


domingo, 17 de abril de 2016

Again

sábado, 16 de abril de 2016

Pensamento de fds

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Que mi(ni)stério é este??? E continua o baile!

      Há muitos anos, um amigo dizia-me que o simples facto de ir à casa de banho é política, é uma opção que se faz: vamos quando é preciso, vamos de uma forma preventiva, educamos o nosso corpo a obedecer a rotinas... e por aí fora! Imagino que aqueles que nos (des)governam devem ter tido o mesmo tipo de conversas de merda, quando eram adolescentes, para causarem tantas fezes aos outros, de uma forma irregular, dessincronizada e cagando, literalmente em todos nós, professores, alunos, pais e sabe Deus quem mais!
         Em 1977/78, fui aluna da Edite Estrela, lembro-me bem dela, do quanto gostava das suas aulas, lembro-me que tinha uma camisola igual a uma da minha irmã e que nessa camisola, em dada altura, havia um autocolante que dizia «Os professores têm razão!». A guerra entre ME/MEC está instalada desde sempre e mal o poder muda de mãos muda tudo, o que está bem, mal, assim-assim, é uma dança de lugares, troca de tachos, de gabinetes, um chega para lá que agora é a minha vez, e, como em tudo neste nosso lindo cantinho, à beira-mar plantado, o que interessa é a marca pessoal, o umbigo, a promoção pessoal, nunca, nunca, nunca o superior interesse dos alunos, vítimas, cobaias de gente sem escrúpulos, vaidosa, de uma vaidade desmedida, cambada de vendidos que usam e abusam de profissionais de elevadíssima qualidade, que dão tudo de si, do seu tempo, da sua disponibilidade, do seu amor, da sua solidariedade, dos seus recursos, que partilham o seu saber, que levam e elevam os seus alunos a patamares de excelência... E podia continuar, porque nós tocamos o futuro todos os dias, porque conhecemos os nossos alunos como ninguém, porque nos rimos com eles e choramos quando eles choram, porque lhes vemos a febre, porque os mandamos ir comer e pôr a conta em nosso nome, porque exigimos deles o que eles nos podem dar, para serem mais, melhores, cidadãos de pleno direito.
         Mas isto não é nada, os professores têm mesmo razão para andarem fartos desta merda! Então vejamos: no início eram exames, nos meus tempos de miúda, na 4ª classe, no Ciclo Preparatório, no 5º ano, sendo que havia a possibilidade de dispensar se a nossa média fosse igual ou superior a 13,5, depois no 7º ano, o chamado Complementar. Inventaram, entretanto o Propedêutico, uma coisa extraordinária para nos fazerem andar mais um ano a «estudar» com um exame no fim e finalmente a Faculdade. Depois acabou tudo. E depois voltaram os exames a conta-gotas para alguns. Para nós, professores e alunos do 2º Ciclo, começámos com provas de aferição, em maio, que, ao fim de alguns anos passaram a provas finais de ciclo, também elas em maio, apesar de tantas e tantas reclamações para que não se fizessem em maio mas em junho, depois de as aulas acabarem. Mas não, eles é que sabem, não interessava que um programa tivesse de estar dado em maio, quando as aulas acabam em junho, não interessava que as aulas ficassem interrompidas durante quatro dias seguidos, para que uns pudessem realizar as provas e os outros todos ficassem sem aulas, não interessava que, além disso, ainda ficassem sem mais dois dias de aulas, para que nós, classificadores, pudéssemos corrigir as provas, enquanto ainda tínhamos os testes dos outros, aulas para preparar... E depois, em janeiro deste ano, veio a ótima notícia, a palhaçada acabava este ano, nada de exames, para o ano logo se via, mas para já ficava marcado o regresso das provas de aferição para o 2º (!!!!!!!!!!!!!) ano, para o 5º e para o 8º anos. De acordo, na generalidade, não entendi o 2º ano, mas só o simples facto de ser em junho já me deixava mais descansada. Mas não há bela sem senão! Ainda não estávamos recuperados de tantas voltas e reviravoltas, quando nos chega às mãos a bomba da época, afinal, as provas de final de ciclo podem realizar-se, se quisermos fazê-las, então façamo-las, há uma matriz e a gente que se amanhe e 'bora lá ficar bonito no filme. Mas não chega! Fazer provas abolidas em prime time na televisão e dar o dito por não dito já é o que é, mas se isso fosse tudo... As provas de aferição que começariam para o ano, afinal são para este, caso a «gente» queira, se não quisermos, o que seria uma coisa estranha para quem nos desgoverna, terá de fundamentar muito bem a decisão de não querer fazer uma coisa imposta às três pancadas, no final do 2º período, contrariando todas as indicações dadas até aí! Mas o que é que é isto? Alguém entende? Nem comento a postura das direções e seus diretores, deixo em branco, porque farta de fezes estou eu! 
          Portanto, os professores têm razão, já a Edite Estrela trazia ao peito o tal autocolante que o dizia em 1978, mas a engrenagem, tal como Sartre a descreveu, é bem mais pesada do que eu poderia alguma vez pensar, imaginar! E os que agora estão por baixo irão um dia para cima e a merda continua, mais uma voltinha, mais uma viagem ao mundo  do Eduquês, termo piroso, foleiro, perfeitamente ajustado a esta cambada de «doutores» que estraga gerações atrás de gerações com modas e modinhas, avanços e recuos, desvios e contornos, em que ninguém se reconhece, com que ninguém se identifica. Que tristeza. E continua o baile!

sábado, 9 de abril de 2016

Cada um no momento certo

Pensamento do dia

Le thé et thé'remercier

Diamantino Alves Patrício ou a impossível viagem à Serra da Estrela

       -Está lá? Setor? Sou eu, Helena Vaz, é só para lhe dizer que já não vamos à Serra da Estrela.
      Coitado do homem! Deve ter ficado a pensar que raio de telefonema era aquele! Também tenho dúvidas que, em plenas férias do Natal, se lembrasse de quem seria a tal Helena Vaz! Tão burra, inexperiente, inconsequente, inconsciente...
        Então lá estava eu, feliz da vida no D. Diniz, eu, não era irmã nem prima de ninguém, era eu, só eu! E feliz! Então, com as recém colegas de Liceu, vai de «organizar» uma viagem à Serra da Estrela, a organização consistia, na cabeça de um cromo de onze anos, em dizer a um professor que ele tinha sido o escolhido para ir connosco, coisa fantástica!, e pronto, a coisa desenrolar-se-ia por obra e graça sabe Deus de quem. Ora o professor de Físico-química disse que sim , que iria connosco, só não nos disse que havia assuntos a tratar, camionetes, autorizações, acompanhantes, local onde ficar... Ingénua (burra) como era, achei que só o simples facto de convidar aquele professor, de quem guardo o nome pela estranheza que me causou quando tivemos o primeiro contacto, seria o suficiente para ter o meu primeiro passeio com as minhas recém feitas amizades, num lugar onde sempre queria ter estado, mas que por razões mais do que óbvias ainda não tinha chegado a altura para tal. Ora, chegaram as férias, passaram os dias e «cadê» o passeio? Achei que era tempo de perguntar à Mãe o que se passaria, foi então que um clique gigantesco soou na minha cabeça (oca, vazia...): não há passeio! Ninguém o organizou! Então, mais burra ainda, telefonei, por cortesia, ao professor a comunicar-lhe que não haveria qualquer ida à Serra da Estrela. Que humilhação, dupla, por assim dizer.  Mas passou. Regressámos às aulas em janeiro, não houve perguntas comentários, dúvidas, portanto estava tudo bem.
         Naquele ano tive três professores, o de História, um engraçadinho sem qualquer graça que me perguntava, vezes sem conta, Helena, Vaz ou não Vaz?, um de Música, mais ligado à Igreja do que à Música e este, um velhote, tipo Professeur Tournesol, super-simpático, de CFQ.

             Gostava dele, não pela disciplina, mas pelo simples facto de já ser muito velhote. Não faço ideia qual a sua idade, mas era mesmo velhinho, tendo em conta que, naquela altura, já os meus pais eram os mais velhos dos pais. As restantes disciplinas estavam entregues a mulheres, só guardo o nome da de Português, «Sou a Marina Alberty, vice-reitora e irmã do célebre escritor, Ricardo Alberty.». Realmente a noção de celebridade, ainda hoje, me causa constrangimentos. Sabia lá eu quem era o célebre escritor! Nesse ano passei chumbada a Português, está visto que não conhecer as celebridades tem o que se lhe diga... Anos, muitos, mais tarde, recebi de presente de Natal um livro com a seguinte dedicatória: «Com um beijinho do irmão da autora.». Pronto, está tudo explicado, tudo ao mesmo nível, nível zero da educação!
      Este foi, então, em 1972/73 o ano do grito do Ipiranga! Saí de um Lycée que me frustrava dia sim, dia sim, onde me sentia a mais, menos, menos do que as outras, menos do que as minhas irmãs, menos do que nada... e fui para um espaço normal, com gente normal, onde era fácil conviver, conversar, fazer amigos. Foi o principio de tudo, do bom, do mau, do péssimo, do acordar para a vida, despertar para um mundo totalmente novo, com tudo a que tinha direito. 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Já ia...



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Confidências, Almada Negreiros


      Mãe! dói-me o peito. Bati com o peito contra a estátua que tem em cima o verbo ganhar. Ainda não sei como foi. Eu ia tão contente! eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar. Estava tudo a ser tão fácil! Já estava a imaginar a tua alegria quando eu voltasse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar, um em cada mão! Dói-me muito o peito, mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Às quartas era dia de bacalhau com todos, já não o é há muito tempo...

     Mas hoje foi. Se cá estivesse, comeria um bocadinho de bacalhau, uma colherzinha de grão, o ovo talvez fosse todo, nas couves não tocaria, nem nas cenouras. Mas as batatas, essas seriam devoradas. 
    Era sempre o almoço das quartas, não tínhamos aulas à tarde, íamos sempre almoçar a casa. Era rápido, todos gostavam, uns mais do bacalhau, eu mais do grão e das batatas... 
     Em sua homenagem, hoje comemos bacalhau com grão, hoje que faz um ano que partiu, cansada, doente, tão magra de não comer durante que tempos e tempos, entubada, amarrada, alimentada à força, triste, triste, triste... Foi assim que partiu. Talvez tranquila, por saber que tanto sofrimento teria um final.

terça-feira, 5 de abril de 2016

❤❤❤❤❤


segunda-feira, 4 de abril de 2016

I have a dream, MLK

...I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal."
I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today!
I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of "interposition" and "nullification" -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.
I have a dream today!
I have a dream that one day every valley shall be exalted, and every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight; "and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."
This is our hope, and this is the faith that I go back to the South with.
With this faith, we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith, we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith, we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Agora a sério...


Ainda a propósito de mentiras

         As mentiras, mais do que nunca, são o pão nosso de cada dia. Não há dia em que não oiçamos dizer que o não sei quantos mentiu, isso é mentira, aquilo é mentira, o fulano é mentiroso, o beltrano mais ainda, eu nunca disse isso, não foi isso que eu disse e há comissões de inquérito para apurar as mentiras (nunca a verdade)... Ora, perante tal evidência, institua-se o dia da verdade, isso é que era, o dia em que seria proibido mentir, mentir à descarada, com todos os dentes, sem pudor... Venha de lá o Dia da Verdade, que de mentiras há 365 dias por ano, fora os bissextos, aí são 366!

As verdades e as mentiras ou a verdade da mentira, cada um escolhe o que quiser...

            Recuemos, mais uma vez, no tempo. 
      A bomba tinha acabado de estalar em casa. Uma filha de 18 anos, acabados de fazer, grávida. Intencionalmente, grávida. Casou-se, contra a vontade de todos menos a dela. Sem rede, sem nada, só com uma Mãe capaz de mover mundos e fundos para resolver tudo o que não tinha, não teve, nunca teria solução. E assim foi. Uma cena de faca e alguidar em casa... E depois os abusos, abusos consistentes com a condição de grávida. E passei-me. Grávida ou não, grávida e tudo, preguei-lhe uma coça, uma valente coça, ainda hoje não sei como fui capaz! Anos e anos de mimo mal distribuído, de injustiças acumuladas e, agora, grávida, achava que tinha o rei na barriga? VIREI-ME  do avesso. No meio daquilo tudo, saiu a verdade das verdades, «tu só não estás grávida, porque tomas a pílula!» e contra factos não há argumentos...
         Houve uma daquelas conversas dispensáveis entre mãe e filha, inenarrável, e a confirmação, para desgraça completa de ambas. Nunca fui dada a mentiras e não valia a pena negar o óbvio.
            Foram precisos anos para o meu pai descobrir o óbvio, foi preciso que a minha primeira sobrinha mexesse nas minhas coisas e lá de dentro desencantasse aquilo que não era suposto um químico-farmacêutico encontrar: as minhas pílulas. Desgraça total, «se não queres que mexam nas tuas coisas, guarda-as.», mais nada, a não ser no dia seguinte. Um telefonema, de manhã: «Está?», «Puta, porca, cabra, vaca...», «Quem fala?», «Quem fala, cobarde?», as mesmas ofensas, os mesmos palavrões, em voz disfarçada, mas perfeitamente reconhecida, «Pai, como és capaz?», e ficou por ali. Acho que nunca mais nos olhámos de frente, ele sabia e eu também. Uma manhã, bem mais tarde, tomava eu o pequeno-almoço na mesa da casa-de-jantar, «parece uma puta de perna traçada», era o que ele sentia em relação a mim. Já eu só sentia desprezo por ele. Podia continuar a vida toda a insultar-me, como diriam os ingleses «...words can never hurt me!», a única coisa que crescia era o desprezo. 
          Houve muitos namorados, só dois frequentaram a nossa casa, um porque fazia «parte» da família, o outro, porque era o tal, não tinha quaisquer dúvidas, a bênção da Mãe (um rapaz de boas famílias que eu conheço, fui catequista dos tios) e já tinha 22 anos e era, de facto, senhora do meu nariz. Ainda houve um ou outro «frisson», mas já não podia fazer muito mais contra mim, já me tinha chamado o que nenhum pai pode chamar a uma filha, já tinha mostrado o quanto não gostava de mim, o quanto lhe causava repulsa, por isso, já só faltava morrer, o que aconteceu depois de eu lhe dizer que ia casar. Acho (mesmo) que se deixou ir, só de pensar que teria de ir ao meu casamento, conhecer pessoas «acima da sua condição», ter de estar à altura daquilo a que nunca esteve, como diria o Elísio, muito social para ele, seria demais. E assim foi, foi-se, não sem antes deixar um rasto de tristeza, de mágoa, de infelicidade. Foi um infeliz que causou montes de infelicidades a quem com ele teve de conviver. 

1º de abril