sábado, 31 de dezembro de 2016

2017, que sejas melhor do que 2016...

Oliver Jeffers 

domingo, 18 de dezembro de 2016

Obrigada... São estas as coisas que nos dão conforto

terça-feira, 29 de novembro de 2016

múm - Finally We Are No One [ Full album ]

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

56

terça-feira, 15 de novembro de 2016

domingo, 13 de novembro de 2016

Novembro

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sisters Of Mercy

Sisters Of Mercy

Oh the sisters of mercy they are not departed or gone, they were waiting for me when I thought that I just can't go on And they brought me their comfort and later they brought me this song Oh I hope you run into them you who've been travelling so long You who must leave everything that you cannot control it begins with your family but soon it comes round to your soul well, I've been where you're hanging I think I can see how you're pinned When you're not feeling holy your loneliness tells that you've sinned They lay down beside me I made my confession to them they touched both my eyes and I touched the dew on their hem If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn they will bind you with love that is graceful and green as a stem When I left they were sleeping I hope you run into them soon don't turn on the light you can read their address by the moon and you won't make me jealous if I heard that they sweetened your night we weren't lovers like that and besides it would still be all right

You will be missed, Leonard Cohen - Suzanne (live at the Montreal Jazz Festival 2008)

So long, Leonard Cohen - Hallelujah

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Wolf Larsen - If I Be Wrong

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia dos mortos, há os que partiram, os que pairam e os que ficam para todo o sempre...

domingo, 23 de outubro de 2016

Escorpião

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Nick Cave & The Bad Seeds - 'Distant Sky' (Official Audio)

sábado, 15 de outubro de 2016

Sunset

Cinco coisas

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Bob Nobel :)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

António Guterres, well done!

Professor, sê-lo...

"O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudí-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo".

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Questão do dia

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Relax

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Best time ever

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Marc Levy


Comme tant d’hommes et de femmes à travers le monde, je ne cesse de penser à ceux et celles qui ont perdu la vie à Nice. Je pense à eux, à leurs proches, aux familles brisées par la barbarie.
Aux larmes se mêlent un sentiment d’effroi et de colère, une tristesse profonde, puis le silence.

Existe-t-il une réponse appropriée face aux barbares prisonniers de leur haine ? J’avoue humblement l’ignorer.
Sinon que de leur montrer haut et fort qu’en France, notre si beau pays, nous avons choisi d’être libres et d’aimer. Et rien ne nous fera dévier de ce choix.

Ils veulent nous faire peur ? Et si nous parlions de leurs peurs.

Ils ont peur du passé, du présent et du futur.
Ils ont peur de la joie et des rires, de la littérature, de la musique, de l’art, de la culture sous toutes ses formes.
Ils ont peur du désir, du plaisir, de la beauté de la diversité du monde.
Ils ont peur des enfants et des femmes.
Ils ont peur de leurs frères. Ils ont peur d’être libres.
Mais plus que tout, ils ont peur de nous.
Parce que là où ils entretiennent l’ignorance, nous éduquons, là où ils détruisent, nous construisons, là où ils font couler le sang, nous soignons.
Parce que nous nous réinventons sans cesse, plus nombreux, plus solidaires.
Parce que nous sommes libres et capables d’amour, de beaucoup d’amour.
Et leur impuissance à accomplir tout cela les terrifie.
Marc Levy

Albert Camus

"Quelque chose en nous a été détruit par le spectacle des années que nous venons de passer. Et ce quelque chose est cette éternelle confiance de l'homme, qui lui a toujours fait croire qu'on pouvait tirer d'un autre homme des réactions humaines en lui parlant le langage de l'humanité. Nous avons vu mentir, avilir, tuer, déporter, torturer, et à chaque fois il n'était pas possible de persuader ceux qui le faisaient de ne pas le faire, parce qu'ils étaient sûrs d'eux et parce qu'on ne persuade pas une abstraction, c'est-à-dire le représentant d'une idéologie. Le long dialogue des hommes vient de s'arrêter. Et, bien entendu, un homme qu'on ne peut persuader est un homme qui fait peur".

Albert Camus
"Le Siècle de la Peur", (Combat, novembre 1948)
Actuelles I

Edvard Munch: "Afternoon at Promenade des Anglais", painted in Nice in 1891 (Private Collection)

Nice :(

segunda-feira, 11 de julho de 2016

😂🇵🇹

Dégueulasse?

domingo, 10 de julho de 2016

Yeah!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Jon and Vangelis - State of Independence (Vinyl)

domingo, 22 de maio de 2016

Com uma forcinha chegamos lá

15 maio, famílias

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Bon Iver - Holocene (Official Music Video)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Bob Dylan feat. Johnny Cash - Girl from the North Country

Disturbed - The Sound Of Silence [Official Music Video]

domingo, 15 de maio de 2016

Ludovico Einaudi - Tu Sei - Piano

domingo, 24 de abril de 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Prince - When Doves Cry, a minha...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ludovico Einaudi - Live Radio KCRW

The Little Great Prince

Prince, RIP

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Eric Clapton “Can’t Let You Do It” (Official Lyric Video)


domingo, 17 de abril de 2016

Again

sábado, 16 de abril de 2016

Pensamento de fds

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Que mi(ni)stério é este??? E continua o baile!

      Há muitos anos, um amigo dizia-me que o simples facto de ir à casa de banho é política, é uma opção que se faz: vamos quando é preciso, vamos de uma forma preventiva, educamos o nosso corpo a obedecer a rotinas... e por aí fora! Imagino que aqueles que nos (des)governam devem ter tido o mesmo tipo de conversas de merda, quando eram adolescentes, para causarem tantas fezes aos outros, de uma forma irregular, dessincronizada e cagando, literalmente em todos nós, professores, alunos, pais e sabe Deus quem mais!
         Em 1977/78, fui aluna da Edite Estrela, lembro-me bem dela, do quanto gostava das suas aulas, lembro-me que tinha uma camisola igual a uma da minha irmã e que nessa camisola, em dada altura, havia um autocolante que dizia «Os professores têm razão!». A guerra entre ME/MEC está instalada desde sempre e mal o poder muda de mãos muda tudo, o que está bem, mal, assim-assim, é uma dança de lugares, troca de tachos, de gabinetes, um chega para lá que agora é a minha vez, e, como em tudo neste nosso lindo cantinho, à beira-mar plantado, o que interessa é a marca pessoal, o umbigo, a promoção pessoal, nunca, nunca, nunca o superior interesse dos alunos, vítimas, cobaias de gente sem escrúpulos, vaidosa, de uma vaidade desmedida, cambada de vendidos que usam e abusam de profissionais de elevadíssima qualidade, que dão tudo de si, do seu tempo, da sua disponibilidade, do seu amor, da sua solidariedade, dos seus recursos, que partilham o seu saber, que levam e elevam os seus alunos a patamares de excelência... E podia continuar, porque nós tocamos o futuro todos os dias, porque conhecemos os nossos alunos como ninguém, porque nos rimos com eles e choramos quando eles choram, porque lhes vemos a febre, porque os mandamos ir comer e pôr a conta em nosso nome, porque exigimos deles o que eles nos podem dar, para serem mais, melhores, cidadãos de pleno direito.
         Mas isto não é nada, os professores têm mesmo razão para andarem fartos desta merda! Então vejamos: no início eram exames, nos meus tempos de miúda, na 4ª classe, no Ciclo Preparatório, no 5º ano, sendo que havia a possibilidade de dispensar se a nossa média fosse igual ou superior a 13,5, depois no 7º ano, o chamado Complementar. Inventaram, entretanto o Propedêutico, uma coisa extraordinária para nos fazerem andar mais um ano a «estudar» com um exame no fim e finalmente a Faculdade. Depois acabou tudo. E depois voltaram os exames a conta-gotas para alguns. Para nós, professores e alunos do 2º Ciclo, começámos com provas de aferição, em maio, que, ao fim de alguns anos passaram a provas finais de ciclo, também elas em maio, apesar de tantas e tantas reclamações para que não se fizessem em maio mas em junho, depois de as aulas acabarem. Mas não, eles é que sabem, não interessava que um programa tivesse de estar dado em maio, quando as aulas acabam em junho, não interessava que as aulas ficassem interrompidas durante quatro dias seguidos, para que uns pudessem realizar as provas e os outros todos ficassem sem aulas, não interessava que, além disso, ainda ficassem sem mais dois dias de aulas, para que nós, classificadores, pudéssemos corrigir as provas, enquanto ainda tínhamos os testes dos outros, aulas para preparar... E depois, em janeiro deste ano, veio a ótima notícia, a palhaçada acabava este ano, nada de exames, para o ano logo se via, mas para já ficava marcado o regresso das provas de aferição para o 2º (!!!!!!!!!!!!!) ano, para o 5º e para o 8º anos. De acordo, na generalidade, não entendi o 2º ano, mas só o simples facto de ser em junho já me deixava mais descansada. Mas não há bela sem senão! Ainda não estávamos recuperados de tantas voltas e reviravoltas, quando nos chega às mãos a bomba da época, afinal, as provas de final de ciclo podem realizar-se, se quisermos fazê-las, então façamo-las, há uma matriz e a gente que se amanhe e 'bora lá ficar bonito no filme. Mas não chega! Fazer provas abolidas em prime time na televisão e dar o dito por não dito já é o que é, mas se isso fosse tudo... As provas de aferição que começariam para o ano, afinal são para este, caso a «gente» queira, se não quisermos, o que seria uma coisa estranha para quem nos desgoverna, terá de fundamentar muito bem a decisão de não querer fazer uma coisa imposta às três pancadas, no final do 2º período, contrariando todas as indicações dadas até aí! Mas o que é que é isto? Alguém entende? Nem comento a postura das direções e seus diretores, deixo em branco, porque farta de fezes estou eu! 
          Portanto, os professores têm razão, já a Edite Estrela trazia ao peito o tal autocolante que o dizia em 1978, mas a engrenagem, tal como Sartre a descreveu, é bem mais pesada do que eu poderia alguma vez pensar, imaginar! E os que agora estão por baixo irão um dia para cima e a merda continua, mais uma voltinha, mais uma viagem ao mundo  do Eduquês, termo piroso, foleiro, perfeitamente ajustado a esta cambada de «doutores» que estraga gerações atrás de gerações com modas e modinhas, avanços e recuos, desvios e contornos, em que ninguém se reconhece, com que ninguém se identifica. Que tristeza. E continua o baile!

sábado, 9 de abril de 2016

Cada um no momento certo

Pensamento do dia

Le thé et thé'remercier

Diamantino Alves Patrício ou a impossível viagem à Serra da Estrela

       -Está lá? Setor? Sou eu, Helena Vaz, é só para lhe dizer que já não vamos à Serra da Estrela.
      Coitado do homem! Deve ter ficado a pensar que raio de telefonema era aquele! Também tenho dúvidas que, em plenas férias do Natal, se lembrasse de quem seria a tal Helena Vaz! Tão burra, inexperiente, inconsequente, inconsciente...
        Então lá estava eu, feliz da vida no D. Diniz, eu, não era irmã nem prima de ninguém, era eu, só eu! E feliz! Então, com as recém colegas de Liceu, vai de «organizar» uma viagem à Serra da Estrela, a organização consistia, na cabeça de um cromo de onze anos, em dizer a um professor que ele tinha sido o escolhido para ir connosco, coisa fantástica!, e pronto, a coisa desenrolar-se-ia por obra e graça sabe Deus de quem. Ora o professor de Físico-química disse que sim , que iria connosco, só não nos disse que havia assuntos a tratar, camionetes, autorizações, acompanhantes, local onde ficar... Ingénua (burra) como era, achei que só o simples facto de convidar aquele professor, de quem guardo o nome pela estranheza que me causou quando tivemos o primeiro contacto, seria o suficiente para ter o meu primeiro passeio com as minhas recém feitas amizades, num lugar onde sempre queria ter estado, mas que por razões mais do que óbvias ainda não tinha chegado a altura para tal. Ora, chegaram as férias, passaram os dias e «cadê» o passeio? Achei que era tempo de perguntar à Mãe o que se passaria, foi então que um clique gigantesco soou na minha cabeça (oca, vazia...): não há passeio! Ninguém o organizou! Então, mais burra ainda, telefonei, por cortesia, ao professor a comunicar-lhe que não haveria qualquer ida à Serra da Estrela. Que humilhação, dupla, por assim dizer.  Mas passou. Regressámos às aulas em janeiro, não houve perguntas comentários, dúvidas, portanto estava tudo bem.
         Naquele ano tive três professores, o de História, um engraçadinho sem qualquer graça que me perguntava, vezes sem conta, Helena, Vaz ou não Vaz?, um de Música, mais ligado à Igreja do que à Música e este, um velhote, tipo Professeur Tournesol, super-simpático, de CFQ.

             Gostava dele, não pela disciplina, mas pelo simples facto de já ser muito velhote. Não faço ideia qual a sua idade, mas era mesmo velhinho, tendo em conta que, naquela altura, já os meus pais eram os mais velhos dos pais. As restantes disciplinas estavam entregues a mulheres, só guardo o nome da de Português, «Sou a Marina Alberty, vice-reitora e irmã do célebre escritor, Ricardo Alberty.». Realmente a noção de celebridade, ainda hoje, me causa constrangimentos. Sabia lá eu quem era o célebre escritor! Nesse ano passei chumbada a Português, está visto que não conhecer as celebridades tem o que se lhe diga... Anos, muitos, mais tarde, recebi de presente de Natal um livro com a seguinte dedicatória: «Com um beijinho do irmão da autora.». Pronto, está tudo explicado, tudo ao mesmo nível, nível zero da educação!
      Este foi, então, em 1972/73 o ano do grito do Ipiranga! Saí de um Lycée que me frustrava dia sim, dia sim, onde me sentia a mais, menos, menos do que as outras, menos do que as minhas irmãs, menos do que nada... e fui para um espaço normal, com gente normal, onde era fácil conviver, conversar, fazer amigos. Foi o principio de tudo, do bom, do mau, do péssimo, do acordar para a vida, despertar para um mundo totalmente novo, com tudo a que tinha direito. 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Já ia...



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Confidências, Almada Negreiros


      Mãe! dói-me o peito. Bati com o peito contra a estátua que tem em cima o verbo ganhar. Ainda não sei como foi. Eu ia tão contente! eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar. Estava tudo a ser tão fácil! Já estava a imaginar a tua alegria quando eu voltasse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar, um em cada mão! Dói-me muito o peito, mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Às quartas era dia de bacalhau com todos, já não o é há muito tempo...

     Mas hoje foi. Se cá estivesse, comeria um bocadinho de bacalhau, uma colherzinha de grão, o ovo talvez fosse todo, nas couves não tocaria, nem nas cenouras. Mas as batatas, essas seriam devoradas. 
    Era sempre o almoço das quartas, não tínhamos aulas à tarde, íamos sempre almoçar a casa. Era rápido, todos gostavam, uns mais do bacalhau, eu mais do grão e das batatas... 
     Em sua homenagem, hoje comemos bacalhau com grão, hoje que faz um ano que partiu, cansada, doente, tão magra de não comer durante que tempos e tempos, entubada, amarrada, alimentada à força, triste, triste, triste... Foi assim que partiu. Talvez tranquila, por saber que tanto sofrimento teria um final.

terça-feira, 5 de abril de 2016

❤❤❤❤❤


segunda-feira, 4 de abril de 2016

I have a dream, MLK

...I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal."
I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today!
I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of "interposition" and "nullification" -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.
I have a dream today!
I have a dream that one day every valley shall be exalted, and every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight; "and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."
This is our hope, and this is the faith that I go back to the South with.
With this faith, we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith, we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith, we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Agora a sério...


Ainda a propósito de mentiras

         As mentiras, mais do que nunca, são o pão nosso de cada dia. Não há dia em que não oiçamos dizer que o não sei quantos mentiu, isso é mentira, aquilo é mentira, o fulano é mentiroso, o beltrano mais ainda, eu nunca disse isso, não foi isso que eu disse e há comissões de inquérito para apurar as mentiras (nunca a verdade)... Ora, perante tal evidência, institua-se o dia da verdade, isso é que era, o dia em que seria proibido mentir, mentir à descarada, com todos os dentes, sem pudor... Venha de lá o Dia da Verdade, que de mentiras há 365 dias por ano, fora os bissextos, aí são 366!

As verdades e as mentiras ou a verdade da mentira, cada um escolhe o que quiser...

            Recuemos, mais uma vez, no tempo. 
      A bomba tinha acabado de estalar em casa. Uma filha de 18 anos, acabados de fazer, grávida. Intencionalmente, grávida. Casou-se, contra a vontade de todos menos a dela. Sem rede, sem nada, só com uma Mãe capaz de mover mundos e fundos para resolver tudo o que não tinha, não teve, nunca teria solução. E assim foi. Uma cena de faca e alguidar em casa... E depois os abusos, abusos consistentes com a condição de grávida. E passei-me. Grávida ou não, grávida e tudo, preguei-lhe uma coça, uma valente coça, ainda hoje não sei como fui capaz! Anos e anos de mimo mal distribuído, de injustiças acumuladas e, agora, grávida, achava que tinha o rei na barriga? VIREI-ME  do avesso. No meio daquilo tudo, saiu a verdade das verdades, «tu só não estás grávida, porque tomas a pílula!» e contra factos não há argumentos...
         Houve uma daquelas conversas dispensáveis entre mãe e filha, inenarrável, e a confirmação, para desgraça completa de ambas. Nunca fui dada a mentiras e não valia a pena negar o óbvio.
            Foram precisos anos para o meu pai descobrir o óbvio, foi preciso que a minha primeira sobrinha mexesse nas minhas coisas e lá de dentro desencantasse aquilo que não era suposto um químico-farmacêutico encontrar: as minhas pílulas. Desgraça total, «se não queres que mexam nas tuas coisas, guarda-as.», mais nada, a não ser no dia seguinte. Um telefonema, de manhã: «Está?», «Puta, porca, cabra, vaca...», «Quem fala?», «Quem fala, cobarde?», as mesmas ofensas, os mesmos palavrões, em voz disfarçada, mas perfeitamente reconhecida, «Pai, como és capaz?», e ficou por ali. Acho que nunca mais nos olhámos de frente, ele sabia e eu também. Uma manhã, bem mais tarde, tomava eu o pequeno-almoço na mesa da casa-de-jantar, «parece uma puta de perna traçada», era o que ele sentia em relação a mim. Já eu só sentia desprezo por ele. Podia continuar a vida toda a insultar-me, como diriam os ingleses «...words can never hurt me!», a única coisa que crescia era o desprezo. 
          Houve muitos namorados, só dois frequentaram a nossa casa, um porque fazia «parte» da família, o outro, porque era o tal, não tinha quaisquer dúvidas, a bênção da Mãe (um rapaz de boas famílias que eu conheço, fui catequista dos tios) e já tinha 22 anos e era, de facto, senhora do meu nariz. Ainda houve um ou outro «frisson», mas já não podia fazer muito mais contra mim, já me tinha chamado o que nenhum pai pode chamar a uma filha, já tinha mostrado o quanto não gostava de mim, o quanto lhe causava repulsa, por isso, já só faltava morrer, o que aconteceu depois de eu lhe dizer que ia casar. Acho (mesmo) que se deixou ir, só de pensar que teria de ir ao meu casamento, conhecer pessoas «acima da sua condição», ter de estar à altura daquilo a que nunca esteve, como diria o Elísio, muito social para ele, seria demais. E assim foi, foi-se, não sem antes deixar um rasto de tristeza, de mágoa, de infelicidade. Foi um infeliz que causou montes de infelicidades a quem com ele teve de conviver. 

1º de abril


quinta-feira, 31 de março de 2016

Mentiras

        Nunca fui dada a mentiras, apesar de ter dentes de mentirosa, tinha medo de ser apanhada e se o fosse as consequências eram um problema. Mas às vezes, não era por uma questão de coragem, a mentira era mesmo uma necessidade.
           Numa casa onde o «sim» era uma raridade enquanto resposta a um pedido para sair, ir ao cinema, a um concerto, até a casa de algumas pessoas, ou viagens, o mais certo seria um «talvez» que significava sempre «não», uma e outra mentira teriam de fazer o serviço. 
            Tanto que eu pedi para ir ao concerto dos Genesis, «talvez», claro que não fui, ainda por cima no dia a seguir em parangonas no jornal podia ler-se, «Música, fumo e cheiro a droga», mais uma razão para eu não ter ido. Não fui a esse e a um monte de outros, enquanto toda a gente que era gente ia a tudo e mais alguma coisa, nós ficávamo-nos pela Festa do Avante, porque, normalmente, nos ofereciam as EP e, acima de tudo, porque, supostamente estávamos acompanhadas pelos nossos primos mais velhos (o que nunca impediu valentes pielas e outros excessos). 
             As restrições eram tantas e tais que cada saída, autorizada ou não, era sempre um desafio à normalidade, havia sempre que ir para além dos limites, do aceitável. Depois eram os horários impostos, às tantas horas com meia hora de tolerância, ou então, porque tinha havido alguma falta de pontualidade, sem qualquer tolerância. Se só podia sair por três horas, entrava e saía de casa tantas vezes que o pai lhe perdia a conta. Mais uma provocação do que outra coisa qualquer, mas irritava viver assim, silêncios alternados com gritos, ordens porque sim, não vais porque não! 
              Mas, mais tarde, a provocação não ficou sem resposta, nunca ficava, nem de um lado nem do outro. Davam-nos sempre algum dinheiro no Natal para podermos comprar presentes, nunca era muito e tinha de ser bem gerido. Nunca sabia o que havia de dar ao pai, sempre seco, sem nada para fazer ou dizer, já não lia, não ouvia música, andava para trás e para a frente naquele corredor horas a fio. O dia todo fechado em casa ou no carro ao sol, quando estava frio ou quando ia lá a casa uma das tias com quem ele não queria estar. Elas entravam por uma porta enquanto ele saía pela da cozinha. Por vezes saía para ir ter com os irmãos, outras nem nunca soube para onde ia. A casa era sua, entrava e saía quando assim o entendia, não dava cavaco a ninguém, nem se despedia, nem anunciava a chegada. Éramos estranhos. Um dia encontrei-o no regresso a casa no autocarro, o normal seria ir para o lado dele, sair com ele e com ele ir para casa. Mas não foi isso que aconteceu. Mas retomemos aquele Natal, comprei uma agenda. Não sei o que me passou pela cabeça, oferecer uma agenda a quem nada fazia, a quem gastava as solas dos sapatos num corredor andando para trás e para diante. Pois foi logo o que eu lhe dei no Natal. E soube dar-lhe uso, começou a anotar naquelas páginas as horas a que eu entrava e saía e para onde ia. Bem feito!
           

terça-feira, 29 de março de 2016

Não me apoquentes!

        «Professora, o que é apoquentar?», desatei-me a rir! Lembrei-me logo da Mãe, «Não me apoquentes!» Luís, imagina-me a «melgar» insistentemente a minha Mãe. Já imaginaste? Então, aí ela dizia-me, furibunda, não me apoquentes... 
         E era mesmo assim, se uma dizia branco, a outra dizia creme, cinzento, preto, se era carne, devia ser peixe, se era melhor dormir mais uma hora, eram horas de ir para a mesa, se era domingo, eram horas da missa. Nunca havia um consenso, era uma guerra pegada de manhã à noite. E durou anos, décadas, até 2010, aí, sei lá porquê, a coisa parou. Mesmo enquanto estive doente, havia discussões ao telefone, por tudo e mais alguma coisa, mas sobretudo por causa de uns monstros criados debaixo dos nossos tetos, dos nossos narizes, que cresciam a olhos vistos e eram alimentados diariamente à custa de um sofrimento incomensurável, indescritível, interminável. Tinha sempre uma boa desculpa, os malandros, os fulanos, os coitados... e lá ia mais uma dose de ajuda, para o telemóvel, para jantar fora, o marido fazia anos, para pagar o IMI do mesmo que fazia anos, pois ele não podia, coitado, não tinha trabalho, «vó, não tenho dinheiro para dar de comer à não sei quantas», «vó, não tenho dinheiro para os tratamentos do meu menino, tadinho», vó para cá, vó para lá, «não posso trabalhar, não tenho onde deixar a criancinha»... e por aí fora, sem dó nem piedade, sem apelo nem agravo, dia sim dia sim... Um calvário de décadas. Não se despediram de quem as sustentou a vida toda, não mostraram a mínima consideração por quem tudo fez, o que devia e o que nunca deveria ter feito. Uns monstros. «Eu criei uns monstros...». 
          Mas o não me apoquentes era para mim, e a maioria das vezes tinha razão para o dizer. Achei sempre que a única forma de me mostrar, de dizer que existia era contrariá-la, «eu não pedi para nascer, o mínimo que podias fazer era dar-me a porcaria do sutiã de que preciso!», «as meias caem-me pelas pernas abaixo, preciso de meias, eu não pedi para nascer, preciso de meias» e o argumento até ia resolvendo a coisa, porque, de facto, precisava das meias, das cuecas e dos sutiãs! Já a outra tinha direito a roupas da Migacho, casacos da Materna (que morriam por falta de uso no armário), calças Levi's (rotas até mais não, que o pai escondia no mesmo armário só para não a ver com aquilo vestido) e tudo o que quisesse, portanto se eu não reclamasse da vida, andaria com as cuecas e as meias a cair, porque era assim, «Não me apoquentes!». Sempre que era confrontada com uma daquelas verdades incontornáveis, a resposta era essa, não havia mais nada para dizer, portanto eu que não a apoquentasse. 
        Mais tarde, o não me apoquentes já não chegava, então rematava com «não tenho nada para te dizer». Foi a pior fase e não tinha mesmo, porque só falava da outra ou do fulano, e eu também já não aguentava tanta merda. «Mãe, não podes passar a vida a falar dessa gente, eu já não aguento», «Então não tenho nada para te dizer». E como não tinha, houve muitos períodos, longos períodos de um silêncio gritante. E se ia a Lisboa, não a ia visitar, e deixei de lhe falar várias vezes, ainda me descompôs na minha última gravidez, e por outras razões que nunca o foram. Sempre maldisposta, sempre amarga, transtornada, alterada, irreconhecível com as suas fúrias incontroláveis, «Mãe, está uma senhora vestida de preto na casa de banho!», «Ó filho, é a avó!». «É esta a imagem que queres deixar aos teus netos?», «Eu quero lá saber da imagem que deixo aos netos, não me apoquentes!» 
         Mas no fim, foram estes netos que a acompanharam, «não guardei os teus filhos para isto», «Pois, Mãe, mas é para isto que a família serve!», cada vez que eles chegavam a Mãe esticava as mãos para lhas dar e ficava de mão dada, sem largar, até ser substituída por outra mão que chegasse. «Olá, Vó!», e esticava os braços, sem falar, e agarrava-se a eles com toda a pouca força que ia tendo...
          Ninguém se esqueceu do mau feitio, das amarguras, dos gritos, dos comentários desagradáveis, mas lembramos sobretudo as gargalhadas, as piadas que não compreendia, as politiquices, o ódio visceral ao Cavaco e a todos os malandros, as manhãs passadas no Parque de Santa Marta na Ericeira, ou nos Navegantes, o café, os pastéis de bacalhau, o carapau grelhado ou o peixinho frito, as Línguas de Veado, os Suspiros, os Babás, os seus pequenos grandes prazeres. 
          
              

segunda-feira, 28 de março de 2016

Pray for Lahore

Pascoela

 A segunda-feira logo após a Páscoa é chamada Pascoela.


          Diga-se o que se disser, essa é que é essa, hoje é Pascoela, dia de almoço no campo, dia de festa para tantos e tantos, por esse Mundo fora, feriado em França, na Bélgica... E a Mãe morreu na Pascoela, faz hoje, portanto, um ano. A data será sempre um registo oficial, 25-03-1923/6-04-2015, mas foi na Pascoela de 2015, um dia frio, cinzento, chuvoso, de trovoada, um dia triste depois de um domingo de Páscoa cheio de sol, «Mãe, podes descansar, hoje é dia de Páscoa, está um dia lindo, cheio de sol, podes descansar...» e assim foi, na Pascoela já descansava, finalmente, na paz do Senhor. Diz-se que quem morre na Páscoa tem as portas do Céu abertas, mesmo assim, a sua chegada ao Céu foi anunciada por uma tremenda trovoada, tenho a certeza de que queria que soubéssemos que já lá tinha chegado sã e salva.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Da Inês...

Querida Avó Locas, 
hoje no dia em que fazia 93 anos, agradeço-lhe por me ter ensinado a trilhar o caminho do bem, pelas mãos dadas, pelos mimos, pelas histórias, pelas conversas infinitas sobre "aqueles malandros", pelas manhãs à mesa e pelas tardes na cozinha mas acima de tudo obrigada por ter lutado, com muita garra, contra o tempo, contra a saudade, contra a doença, contra a indiferença e contra o cansaço dos anos.
Obrigada por ter sido uma avó cheia de paciência, uma avó muitas vezes alegre, que a todos serviu. 
Obrigada por tudo! 
Até já, querida Avó!

Mãe, hoje falamos de fulanos, malandros, vamos rir, se calhar, chorar com pastelinhos de bacalhau e arrozinho de tomate! E vêm todos!

Marc Chagall

quinta-feira, 24 de março de 2016

Ludovico, eu vou!

Ludovico Einaudi - Song For Gavin (Live from Heimat)

terça-feira, 22 de março de 2016

La Belgique pleure et moi aussi...

Nous sommes...

Tomem lá!