quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A mim não me farão o que fizeram à minha Mãe... testamento vital

DIRETIVA ANTECIPADA DE VONTADE (DAV)

Ao abrigo e para os efeitos previstos na Lei n.º 25/2012, de 16 de julho, o presente documento traduz a minha manifestação antecipada da vontade consciente, livre e esclarecida, no que concerne aos cuidados de saúde que desejo receber, ou que não desejo receber, no caso de, por qualquer razão, me encontrar incapaz de expressar a minha vontade pessoal e autonomamente.
Este documento, que subscrevo sendo maior de idade e capaz e não me encontrando interdito ou inabilitado por anomalia psíquica, é por mim unilateral e livremente revogável a qualquer momento.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Capicua


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Do mar à tolerância, este é o meu dia!


Gostei! Ao menos a Google sabe que eu faço anos e dá-me os parabéns! Já outr@s...


domingo, 15 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Je suis Paris

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ludovico Einaudi - 36 Song Golden Collection

Cinematic Orchestra - To Build A Home (feat. Patrick Watson)





There is a house built out of stone
Wooden floors, walls and window sills...
Tables and chairs worn by all of the dust...
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home...
And I built a home
For you
For me
Until you disappear
From me
From you
And now, it's time to leave and turn to dust...
Out in the garden where we planted the seeds
There is a tree as old as me
Branches were sewn by the color of green
Ground had arose and passed it's knees
By the cracks of his skin I climbed to the top
I climbed the tree to see the world
When the gusts came around to blow me down
Held on as tightly as you held onto me
Held on as tightly as you held onto me...
And, I built a home
For you
For me
Until you disappeared
From me
From you
And now, it's time to leave and turn to dust...


Songwriters
PATRICK WATSON, JASON ANGUS STODDART SWINSCOE, PHILIP JONATHAN FRANCE, STELLA PAGE


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Fernando Pessoa, AVE-MARIA [2]



                       À minha mãe


Ave Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada
Ouvi a prece tirada
No meu peito da amargura!

Vós que sois cheia de graça,
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa!

O Senhor, que é vosso filho,
Que seja sempre connosco,
Assim como é convosco
Eternamente o seu brilho.

Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da terra;
E vossa alma só encerra
Doce imagem de alegria!

Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe
É o fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!

Gloriosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá nos céus
Velai por mim cada dia!

Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores!

Orai agora, oh Mãe querida,
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte
Quando nos fugir a vida!

Avé Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada,
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.

7-4-1902

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Chá da Mãe

       

            Gosto de chá, sempre gostei. Nos dias frios, de chuva, de nevoeiro cerrado, de cacimba, até nos de calor, um chazinho sabe sempre bem. Vai com tudo, pão, bolo, bolacha, mas o que fica mesmo bem é a bela da torrada, crivadinha de manteiga que escorre (ou não, consoante o pão) por entre os dedos quando a mergulhamos no chá. É assim que eu me lembro dos lanches em casa, nos fins de semana. 
         Quando íamos de passeio para algum lado, raras eram as vezes em que não enjoava no carro, havia sempre desgraça, tinha de ir à janela para poder pôr a mão de fora, para fúria imensa das outras que cobiçavam esse lugar, e havia sempre uma banana, parecia que era a única coisa que eu tolerava depois do grande momento que me obrigava a sair do carro para não o sujar todo. Mas quando chegava a casa era premiada com o chazinho e a torrada!
             Quando ia visitar as tias e me perguntavam o que eu queria, a resposta era sempre a mesma: chá da Mãe. Não era um chá especial, mas também não era um qualquer, era o único que eu conhecia, o que eu bebia com a Mãe, chá preto, forte, fumegante, cheio de açúcar, era assim que eu o bebia. Era o chá do pacote amarelo, tínhamos de esperar que as folhas ficassem no fundo do bule, passávamo-lo pelo passador, mas mesmo assim as folhinhas persistiam em aparecer na chávena. Não sabia a marca do chá, não era importante, nem sabia lê-la no pacote, mas sabia reconhecê-lo, era o único que havia lá em casa, mais tarde percebi que havia muitos chás e marcas, o nosso era o Li-cungo, para mim era o chá da Mãe.

         «Professora, é um chá?», «Sim, é um chá da Mãe... Obrigada.»