sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Noite das bruxas, dia de todos os santos, dia dos mortos...

             E estamos quase em novembro, o meu mês. Adoro novembro, o frio, a chuva, as folhas caídas, as poças de água, as castanhas assadas, cozidas e barradas com manteiga, em puré, de todas as maneiras e feitios! Adoro o São Martinho, santo da solidariedade, o vinho, o magusto, venham as farinheiras assadas, o pão quente e tudo o que sabe bem na companhia de quem gostamos. 
             Mas o mês começa com os santos e logo a seguir vêm os mortos. Nunca fui de ir ao cemitério, acho que fui uma vez à campa do meu pai com a mãe, mas a minha mãe não tem campa, preferiu (acreditando no que foi dito...) ser cremada e ficar ao pé do meu pai, dentro daquela minúscula gaveta, dentro de um recipiente, obscenamente caro, de tamanho reduzido para caber naquele espaço! Adiante! Assim, ir ao cemitério será o quê? Homenagear como? Nem identificação existe! É uma gaveta, no cimo de uma das muitas «ruas», do lado direito de quem sobe, ali, ao cantinho. Nem Paulo, nem Yolanda, nada! Nem flores, nem a «eterna saudade» dos que cá ficaram, dos que nem se despediram dela, dos que a destrataram ao ponto de a fazer querer partir, porque foi muito infeliz...
             Quando o meu pai morreu, os meus sonhos eram pesadelos, aí vinha ele tirar-me tudo: o carro que era dele, o dinheiro que me tinha ficado! Só me aparecia em sonhos para reclamar aquilo a que eu, talvez, não tivesse «direito», por ter correspondido tão pouco àquilo que se esperava de mim, enquanto filha. Mas a Mãe não me aparece nos meus sonhos, sonhava muito com ela dantes, talvez para lhe dar mais vida... Talvez porque só nos últimos anos da sua vida é que conseguimos estabelecer uma relação digna desse nome. Estabelecemos limites, não se falava de quem nos magoava, nem do que não podíamos mudar. Mas podíamos falar de tudo o resto, das memórias tão antigas como ela, da sua Mãe, minha avó, do seu sofrimento, das bananas que a Mãe procurava pelas ruas do Rêgo para dar à sua Mãe, tão doente, a morrer... Das suas paixões, do Duartinho, das suas mágoas e desgostos. Do quanto preferia ter tido um pai a um político! Das suas alegrias enquanto assistente social nos Olivais, do quanto amava o seu bairro. Tudo isso nos era permitido. Nada de conversas de merda, dizia-lhe eu! Telefone sem som. Quem é? Não interessa... Pois, hoje é dia da pensão do teu pai, hoje é dia de ordenado! Quantas vezes já ligaram? Não interessa...
         Que raio de família era esta? Quantas desculpas foram inventadas para justificar o injustificável!
               E, pela primeira vez, faço anos sem Mãe! Nunca foi muito a minha Mãe, foi mais das outras... Mas não faz mal, ganhei-a nos seus últimos cinco anos de vida, valeram pela vida toda. Já as outras, que me roubaram a Mãe a minha vida toda, que roubaram a Avó aos meus filhos durante tanto tempo, não sabem nada de nada de nada... Mas também não faz mal, porque no final nós sabemos com quem a Mãe pôde contar, a quem a Avó pôde dar as mãos. Nós sabemos... 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sufjan Stevens ❝ Come Thou Fount of Every Blessing ❞

"Come Thou Fount Of Every Blessing"

Come, Thou Fount of every blessing
Tune my heart to sing Thy grace
Streams of mercy, never ceasing
Call for songs of loudest praise
Teach me some melodious sonnet
Sung by flaming tongues above
Praise the mount, I'm fixed upon it
Mount of Thy unchanging love

Here I raise my Ebenezer
Here there by Thy great help I've come
And I hope, by Thy good pleasure
Safely to arrive at home
Jesus sought me when a stranger
Wandering from the fold of God
He, to rescue me from danger
Interposed His precious blood

O to grace how great a debtor
Daily I'm constrained to be
Let that grace now, like a fetter
Bind my wandering heart to Thee
Prone to wander, Lord, I feel it
Prone to leave the God I love
Here's my heart, O take and seal it
Seal it for Thy courts above

Come, Thou Fount of every blessing
Tune my heart to sing Thy grace
Streams of mercy, never ceasing
Call for songs of loudest praise
Teach me some melodious sonnet
Sung by flaming tongues above
Praise the mount, I'm fixed upon it
Mount of Thy unchanging love

sábado, 24 de outubro de 2015

Massive Attack - Atlas Air (Live - Melt Festival 2010)

domingo, 11 de outubro de 2015

Vil e erróneo nesta terra

Outono, Van Gogh

sábado, 10 de outubro de 2015

The Cinematic Orchestra - Arrival of the birds & Transformation

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Por favor

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Seis meses... uma eternidade!


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Eu sou

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PàF?