terça-feira, 9 de junho de 2015

Há miúdas assim

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mãe, Mãe, Mãe

Mãe, mãe, mãe 

MIGUEL ESTEVES CARDOSO

Morreste, morreste, meu amor, minha mãe, Mummy, Mummy. Que vai ser de mim? Que vai ser de nós? Como vamos estar todos sós sem ti? Morreste, morreste, meu amor, minha mãe, Mummy, Mummy. Como é que tanta vida é capaz de morrer assim? Onde está o riso que ainda não rimos? Quem vai rir por ti, em teu lugar, como só tu sabias rir? Ninguém, ninguém, ninguém que seja como tu, querida mãe. 
Agora a quem é que eu vou dar a ler estas palavras de amor que te escrevo? Escrevi-te tantas, só pelo prazer de te ver a lê-las, de saber que as sabias de cor. Como é que vais lê-las agora? Lê-as agora, se puderes. Please, Mummy, try. 
Olho para as coisas todas que nos deixaste e nada me consola saber que são coisas que não morrem. Sabias muito bem que a coisa mais maravilhosa de todas as coisas que nos deste eras tu. E mesmo assim morreste, morreste, meu amor, minha mãe, Mummy, Mummy.
 Mãe, mãe, mãe, onde estás?

Público, 2/6/15