segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Amanhã, na Igreja de São Francisco, «Toca-me»! Obrigada, Rafael!

Concertos Didáticos de Órgão
Concertos Didáticos de Órgão


Nos próximos dias 1 e 2 de outubro, Rafael Reis, António Esteireiro e Maria João Sousa apresentam em três igrejas da região, 3 concertos didáticos que abordam a história em torno do órgão de forma interativa, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Música e do Programa de Sensibilização para a Educação Patrimonial, organizado pela DRCAlentejo.


Toca-me… 


          Há muito, muito tempo, ainda a igreja era um convento e a vida vivida em Évora corria devagar ao som dos sinos. 
            Nesse tempo em que acabou a escuridão, em que as trevas se abriram para dar luz ao mundo, a música ganhou forma com a construção de um instrumento maravilhoso, tão poderoso que elevaria o som aos céus. 
          Sou eu, o órgão da igreja de São Francisco. Ao longo dos tempos renovaram-me, fui acrescentado, pintado, melhorado para que o som fosse divino, suave, profundo e doce, assim como as vozes dos monges que me acompanhavam. «Toca, organista, toca! Leva o meu som ao céu… Deixa-me falar com os anjos, acalmar a dor dos que sofrem, lavar a alma dos tristes, iluminar os rostos dos meninos que me ouvem! Toca, organista, toca!» 
          E o som inunda o espaço, eleva-se através dos tubos, e as mãos do organista percorrem as minhas teclas, que conduzem o som aos tubos, às minhas dezasseis flautas, libertando os timbres, tantos… O do contrabaixo, do tambor, do flautado aberto e tapado, do clarim, da oitava real, e o da voz humana que se mistura com a trombeta real, a corneta real, o cheio e o cheio, a quinzena, a décima sétima, a dozena, e o silêncio de quem ouve quebra-se perante a grandeza desta sinfonia melodiosa, encantada… «Toca, organista, toca! Deixa-me dizer o que penso, deixa-me falar, deixa que me oiçam! Deixa-me gritar, chorar e rir…Toca, organista, toca!» Cada tecla é única, perfeita, pressionada perpetua o som e o som perpetua a felicidade de se ser amado, de amar! 
           E as gentes vêm de longe e de perto, ao frio, ao calor, de noite e de dia, pobres e ricos, só para me ouvir, no compasso das mãos que se entrelaçam, que me elevam e libertam. «Toca, organista, toca, mostra o que sabes fazer, faz a nossa alma vibrar, leva-me ao céu e ao mar, leva-me às nuvens e à praia, leva-me daqui, leva-me aonde nunca fui, mostra-me do que és capaz, tu e eu, os dois num só! Toca, organista, toca!» 
            E eu cresço, aprendo, vivo, vivo nas mãos de quem me cria, de quem me toca, de quem me estuda e mima compondo para mim, porque quem para mim escreve, escreve para o mundo e o mundo avança com a certeza de que a beleza é suprema e infinita. Mas quando as portas se fecham, quando não vem ninguém, quando o silêncio é profundo e prolongado… 
           Quando as mãos não tocam nas teclas, quando o som teima em não sair, então aí fico muito calado, quieto, à espera, à espera daquele instante em que o organista regressa e me devolve a vida, o som e a luz e digo «Toca, organista, toca, toca o que quiseres, toca como quiseres, mas toca, organista, toca!» 

 Um pedido do Rafael


domingo, 29 de setembro de 2013




Mau demais, a condizer com o mês e com o dia!

Pronto, está bem... Vou votar, mas é bom que se saiba que......

...apesar de menos amarela HOJE, a água em Évora continua a ser uma valente merda, obrigando os munícipes a consumir água de garrafa/garrafão, independentemente do valor exagerado que se paga pela água dita pública! VERGONHA!

Parecidos, não?

 

sábado, 28 de setembro de 2013

O Avô e eu



Eu cumpro o meu dever de votar se os que forem eleitos cumprirem os deles, ok?



sexta-feira, 27 de setembro de 2013


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Não se trata a professora por «você»! Porra! Será preciso um boneco?

vo·cê
(contração de vossa mercê)
pronome pessoal de dois géneros
Pronome de tratamento, usado quando alguém se dirige a outrem, a uma segunda pessoa, mas que obriga à concordância com o verbo na terceira pessoa (ex.: você foi indelicado; vocês tenham juízo).

«você», in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2010, http://www.priberam.pt/dlpo/voc%C3%AA [consultado em 24-09-2013].

Palavra usada como forma de tratamento da segunda pessoa do singular, em substituição do pronome [tu] e respetiva conjugação verbal, em relação a pessoas mais velhas mas próximas e superiores hierárquicos, quando alguma «cerimónia» é exigida (seja lá isso o que for), se bem que as elites institucionalizaram que o uso da expressão «você» deve ser evitado por deselegância (!!!), preferindo o uso simples da forma verbal na terceira pessoa, ou o uso da forma «senhor/senhora/professor/professora»...


vo·cê
(contracção de vossa mercê)

pronome pessoal de dois géneros
Pronome de tratamento, usado quando alguém se dirige a outrem, a uma segunda pessoa, mas que obriga à concordância com o verbo na terceira pessoa (ex.: você foi indelicado; vocês tenham juízo).

"você", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2010, http://www.priberam.pt/dlpo/voc%C3%AA [consultado em 24-09-2013].
vo·cê
(contração de vossa mercê)
pronome pessoal de dois géneros
Pronome de tratamento, usado quando alguém se dirige a outrem, a uma segunda pessoa, mas que obriga à concordância com o verbo na terceira pessoa (ex.: você foi indelicado; vocês tenham juízo).

«você», in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2010, http://www.priberam.pt/dlpo/voc%C3%AA [consultado em 24-09-2013].
vo·cê
(contracção de vossa mercê)

pronome pessoal de dois géneros
Pronome de tratamento, usado quando alguém se dirige a outrem, a uma segunda pessoa, mas que obriga à concordância com o verbo na terceira pessoa (ex.: você foi indelicado; vocês tenham juízo).

"você", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2010, http://www.priberam.pt/dlpo/voc%C3%AA [consultado em 24-09-2013].
vo·cê
(contracção de vossa mercê)

pronome pessoal de dois géneros
Pronome de tratamento, usado quando alguém se dirige a outrem, a uma segunda pessoa, mas que obriga à concordância com o verbo na terceira pessoa (ex.: você foi indelicado; vocês tenham juízo).

"você", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2010, http://www.priberam.pt/dlpo/voc%C3%AA [consultado em 24-09-2013].

segunda-feira, 23 de setembro de 2013


Vota Elísio:-) Já que eu não posso...


Hai-Kai de Outono, Mario Quintana


Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

"Premier Automne", by Carlos De Carvalho and Aude Danset [3D animated sh...

Chant d'Automne, Baudelaire


I

Bientôt nous plongerons dans les froides ténèbres ;
Adieu, vive clarté de nos étés trop courts !
J'entends déjà tomber avec des chocs funèbres
Le bois retentissant sur le pavé des cours.

Tout l'hiver va rentrer dans mon être : colère,
Haine, frissons, horreur, labeur dur et forcé,
Et, comme le soleil dans son enfer polaire,
Mon coeur ne sera plus qu'un bloc rouge et glacé.

J'écoute en frémissant chaque bûche qui tombe ;
L'échafaud qu'on bâtit n'a pas d'écho plus sourd.
Mon esprit est pareil à la tour qui succombe
Sous les coups du bélier infatigable et lourd.

Il me semble, bercé par ce choc monotone,
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui ? - C'était hier l'été ; voici l'automne !
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.

II

J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.

Et pourtant aimez-moi, tendre coeur ! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant ;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.

Courte tâche ! La tombe attend ; elle est avide !
Ah ! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux !

Charles Trenet - Chanson d'automne, poème de Paul Verlaine.

L'Automne est làs -- MANU CHAO


António Ramos Rosa

Nuvens

Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.

Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.

Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.

Perito em incorreções factuais...


domingo, 22 de setembro de 2013

88

        Quando se vive durante décadas na penumbra... a luz encandeia, e de que maneira! Foi assim que me senti quando descobri a família do «meu» Domingos. Ofuscada, não deslumbrada! Ofuscada pelo riso e pela união. Ofuscada pela noção plena de família, de clã! Nunca tinha sentido isso e, quando fui falar com o padre Valdomiro (não, não me enganei, é mesmo assim que se escreve, eu sei!), amigo de sempre da mãe e que nos casou, disse-lhe que aquela era a família que eu queria ter... 
          Passados estes anos todos, senti novamente a mesma coisa. Foi uma noite de riso, de ternura, de reunião. Já tinha saudades de me sentir assim! Vêm aí mais três bebés! Ao todo serão nove bisnetos, dezanove netos de nove filhos!
           Falta a fotografia do bolo! Um espetáculo. 
        E sim, as noras estão na retaguarda, como se diz por aí, atrás de grandes homens estão grandes mulheres! :-)

E quando quisermos dizer uma coisinha a quem já não está por cá...


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Cores de outono, Cargaleiro


As cores do outono por Sempé











quarta-feira, 18 de setembro de 2013




As cores do outono


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Cannonball Adderley feat. Miles Davis " Autumn Leaves" (1958)

Évora terá um fim de semana com 32º, reduzindo para 31º na segunda-feira e 28º na terça.


A única coisa boa que setembro traz: o outono

O verão termina no próximo domingo, com o equinócio de outono.

Pete Seeger

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to build up, a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones
A time to gather stones together

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time of war, a time of peace
A time of love, a time of hate
A time you may embrace
A time to refrain from embracing

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time to love, a time to hate
A time of peace, I swear it's not too late!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A partir de agora, as coisas lindas que os meus meninos fazem encontram-se aqui:


domingo, 15 de setembro de 2013

Quem sabe, sabe!


Sobre a Vírgula

«A vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.»

 Texto que assinalou os 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) :: 25/03/2008

sábado, 14 de setembro de 2013

E se alguém tem dúvidas...


E que música passava de meia em meia hora na telefonia em setembro de 88?

Um trauma!

Ainda setembro de 88...



       O sol batia-me de chapa na cara, eram para aí duas da tarde, «não adormeça!» dizia-me quem ia ao meu lado e eu só me lembrei de perguntar se a ambulância não tinha telefonia, assim não adormeceria de certeza. Mas não, não tinha, tinha uma sirene ensurdecedora que ao aproximar-se de Lisboa começou a tocar sem parar, pareciam gritos! «Não pode desligar essa coisa?», «Não, senão podemos não chegar lá a tempo!» Lá era o hospital de São José, onde a equipa do Dr. Gomes da Silva me recebeu. «Vou morrer?», «Vamos fazer tudo para que isso não aconteça…»
         Entretanto chegou o Domingos, era preciso fazer uma escolha, eu ou o Afonso, caso a coisa desse para o torto. Grávida de seis meses, politraumatizada com um escalpe que me cortou as pálpebras, a coisa podia correr mesmo mal. Fui levada, tratada, cosida e entregue aos cuidados intensivos.
         Quem pensa que está a salvo, engana-se. Duas, supostamente, enfermeiras, fizeram-me a vida num autêntico inferno durante a minha primeira noite no hospital! Contado ninguém acreditaria, e foi o que aconteceu quando falei aos médicos de serviço. Uma dava pelo nome de Vicência, da outra não sei! Única opção: gritar! Gritei a noite toda, chamei pela médica que estava de serviço, gritei só para me ver livre daquelas mulheres horrorosas que se riam do sofrimento de quantos estávamos ali: uma mulher tinha sofrido um acidente quando evitava que a sua filha fosse levada por um homem mais velho; outro, operário da construção, tinha ficado tetraplégico por uma queda numa obra; os choros, os lamentos, as horas que demoram a passar… Um horror! No meio de tanta desgraça, aconteceu um milagre, um homem que deu uma queda imensa, um monte de andares, sobreviveu sem um arranhão! Há sempre uma boa notícia…
         Tanto gritei que, tendo estado muito agitada (segundo aquela médica de serviço…) fui transferida para o serviço de cirurgia, um ambiente tranquilo e confortável. Verdade absoluta. Fiquei na cama mais próxima da janela com vista sobre Lisboa, horas sem fim a olhar para a minha cidade, que eu decidira abandonar.
         Naquela sala enorme, havia sempre quem se pudesse levantar para ajudar quem mais precisava, um espírito solidário reconfortante, nada a ver com aquele local sinistro de onde me tinham tirado. Mas ainda estava longe de estar bem, uma anemia galopante obrigou o médico de serviço, um homem alto, enorme, de uma ternura comparável ao seu tamanho a decidir por uma transfusão de sangue. Não havia tempo de chamar o Domingos para ver se havia compatibilidade, e isto passou-se na altura do sangue contaminado, o drama por que passaram os hemofílicos. O médico ficou ao meu lado a maior parte do tempo, e parecia que eu contava as gotas que saíam daqueles sacos de sangue, enquanto chorava, rezando para que o sangue não estivesse contaminado… «Sabe que tem uns olhos lindos?»