terça-feira, 27 de setembro de 2011

Oasis - Just Getting Older

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O que nos vale é que a Cuca e o Twix nos preenchem os espaços e os tempos!




Uma casa quase vazia... (em edição)



Há seis anos, saiu a Inês! Logo no ano a seguir foi o Afonso. Agora sai o Domingos...
Em edição para eu digerir a coisa!

THE CURE - THE LAST DAY OF SUMMER

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

VAN MORRISON - WHEN WILL I EVER LEARN TO LIVE IN GOD

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sia- My Love Lyrics

sábado, 3 de setembro de 2011

O Garfield é que tem razão...


PJ Harvey - Down By The Water

Detesto Setembro...


O sol batia-me de chapa na cara, eram para aí duas da tarde, «não adormeça!» dizia-me quem ia ao meu lado e eu só me lembrei de perguntar se a ambulância não tinha telefonia, assim não adormeceria de certeza. Mas não, não tinha, tinha uma sirene ensurdecedora que ao aproximar-se de Lisboa começou a tocar sem parar, pareciam gritos! «Não pode desligar essa coisa?», «Não, senão podemos não chegar lá a tempo!» Lá era o hospital de São José, onde a equipa do Dr. Gomes da Silva me recebeu. «Vou morrer?», «Vamos fazer tudo para que isso não aconteça…»
         Entretanto chegou o Domingos, era preciso fazer uma escolha, eu ou o Afonso, caso a coisa desse para o torto. Grávida de seis meses, politraumatizada com um escalpe que me cortou as pálpebras, a coisa podia correr mesmo mal. Fui levada, tratada, cosida e entregue aos cuidados intensivos.
         Quem pensa que está a salvo, engana-se. Duas, supostamente, enfermeiras, fizeram-me a vida num autêntico inferno durante a minha primeira noite no hospital! Contado ninguém acreditaria, e foi o que aconteceu quando falei aos médicos de serviço. Uma dava pelo nome de Vicência, da outra não sei! Única opção: gritar! Gritei a noite toda, chamei pela médica que estava de serviço, gritei só para me ver livre daquelas mulheres horrorosas que se riam do sofrimento de quantos estávamos ali: uma mulher tinha sofrido um acidente quando evitava que a sua filha fosse levada por um homem mais velho; outro, operário da construção, tinha ficado tetraplégico por uma queda numa obra; os choros, os lamentos, as horas que demoram a passar… Um horror! No meio de tanta desgraça, aconteceu um milagre, um homem que deu uma queda imensa, um monte de andares, sobreviveu sem um arranhão! Há sempre uma boa notícia…
         Tanto gritei que, tendo estado muito agitada (segundo aquela médica de serviço…) fui transferida para o serviço de cirurgia, um ambiente tranquilo e confortável. Verdade absoluta. Fiquei na cama mais próxima da janela com vista sobre Lisboa, horas sem fim a olhar para a minha cidade, que eu decidira abandonar.
         Naquela sala enorme, havia sempre quem se pudesse levantar para ajudar quem mais precisava, um espírito solidário reconfortante, nada a ver com aquele local sinistro de onde me tinham tirado. Mas ainda estava longe de estar bem, uma anemia galopante obrigou o médico de serviço, um homem alto, enorme, de uma ternura comparável ao seu tamanho a decidir por uma transfusão de sangue. Não havia tempo de chamar o Domingos para ver se havia compatibilidade, e isto passou-se na altura do sangue contaminado, o drama por que passaram os hemofílicos. O médico ficou ao meu lado a maior parte do tempo, e parecia que eu contava as gotas que saíam daqueles sacos de sangue, enquanto chorava, rezando para que o sangue não estivesse contaminado… «Sabe que tem uns olhos lindos?»
Um sofrimento provisório, como disse a minha mãe...