sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio

Morreu António Feio, um actor... um dos melhores, se não o melhor! Uma perda...

domingo, 25 de julho de 2010

Dia dos avós, 26 de Julho

Livro de Teresa Fonseca no Plano Nacional de Leitura

terça-feira, 20 de julho de 2010

The Mockingbird Song

Bom dia do Amigo

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Biodiversity - www.estamostodosjuntosnisto.eu PT

domingo, 11 de julho de 2010

Sesame Street: Celebrities Sing Alphabet Song

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Porque é que a minha irmã mais velha é a maior? Há cinco anos...

Porque é que a minha irmã mais velha é a maior?

Este texto é sobre a minha irmã mais velha, a Inês, tem dezanove anos feitos no dia 26 de Junho deste ano.

Não é muito alta, tem cabelo ondulado, olhos verdes, sardas, e até dizem que ela é muito parecida comigo.

Ela gosta de estar com os amigos, sair à noite, ir à praia, à Ericeira, a sua praia favorita, e claro, estar com a família.

Gosta muito de ouvir música, mas quem possa pensar que o seu canal preferido é a MTV engana-se, o seu canal de televisão preferido é o Disney Channel! Gosta de todos os fimes de desenhos animados da Disney, parece uma miúda! Quando faz anos pede à mãe os DVDs para continuar a sua colecção! E a mãe dá-lhe, não sei quem é pior!

Agora que ela saiu de casa é que eu me apercebi o quanto gosto dela, ela foi para Lisboa, onde entrou na universidade, Escola Superior de Comunicação Social, para Publicidade e Marketing, está toda contente mas cá em casa ficou um quarto vazio e uma família cheia de saudades. Ficou com a minha avó, lá em Lisboa, e agora só a vejo aos fins-de-semana.

Tem, como todos nós, defeitos e qualidades, posso dizer que o seu maior defeito é ser do Sporting, sendo eu do Benfica. Às vezes acorda com mau humor e fala torto por tudo e por nada, mas passado um bom bocado já passou e então já a posso provocar à vontade que ela ri-se.

Em termos de rapazes, é muito concorrida, tem um namorado, de dezassete anos, e chama-se António, ainda não o conheço, também é sportinguista mas apesar disso parece ser muito simpático. Só espero que a trate tão bem como eu!

terça-feira, 6 de julho de 2010

"A fita vermelha", Matilde Rosa Araújo

A fita vermelha

Eu tinha começado a ensinar. Era muito nova então. Quase tão nova como as meninas que eu ensinava. E tive um grande desgosto. Se recordar tudo quanto tenho vivido (já há mais de vinte anos que ensino), sei que foi o maior desgosto da minha vida de professora. Vida que muitas alegrias me tem dado. Mais alegrias do que tristezas.

Se vos conto este desgosto tão grande, não é para vos entristecer. Mas para vos ajudar a compreender, como só então eu pude compreender, o valor da vida. O amor da vida. O valor de um gesto de amor. O seu «preço», que dinheiro algum consegue comprar.

Eu ensinava numa escola velha, escura. Cheia do barulho da rua, dos «eléctricos» que passavam pelas calhas metálicas. Dos carros que continuamente subiam e desciam a calçada. Até das carroças com os seus pacientes cavalos.

A escola era muito triste. Feia. Mas eu entrava nela, ou digo antes, em cada aula, e todo o sol estava lá dentro. Porque via aqueles rostos, trinta meninas, olhando para mim, esperando que as ensinasse.

O quê? Português, francês. Hoje sei, acima de tudo, o amor da vida.

Com toda a minha inexperiência. Com todos os meus erros. Porque um professor tem de aprender todos os dias. Tanto, quase tanto ou até muito mais que os alunos.

Mas, desde o primeiro dia, compreendi que teria nas alunas a maior ajuda. O sol, a claridade que faltava àquela escola de paredes tristes. A música estranha e bela que ia contrastar com os ruídos dos «eléctricos», dos automóveis da calçada onde ficava a escola. Até com o bater das patas dos cavalos que passavam de vez em quando.

Porque, mais do que português e francês, havia uma bela matéria a ensinar e a aprender. Foi nessa altura que comecei mesmo a aprender essa tal matéria ou disciplina – ou antes, a ter a consciência de que a aprendia.

Eu convivia com jovens (seis turmas de trinta alunas são perto de duzentas) que no princípio de Outubro me eram desconhecidas. Cada uma delas representava a folha de um longo livro que no princípio de Outubro me era desconhecido. Todas eram folhas de um longo livro por mim começado a conhecer. Não há ser humano que seja desconhecido de outro ser humano. Só é precisa a leitura.

Eu tinha agora ali perto de duzentas amigas. Todas aquelas meninas confiando em mim, esperando que as ensinasse; sorrindo, quando eu entrava, assim me ensinavam quanto lhes devia.

Mas um dia. Eu conto como aconteceu o pior. E conto-o hoje, a vós, jovens, que me podem julgar. Julgar-me sabendo este meu erro. E evitarem, assim, um erro semelhante para vós mesmos.

Já era quase Primavera. Na rua não havia árvores nem flores. Só os mesmos carros com o seu peso e a violência da sua velocidade. Gritos de vez em quando. Uma Primavera só no ar adivinhada.

Numa turma uma aluna faltava há dias. Era a Aurora. Morena, de grandes olhos cheios de doçura. Talvez triste. A Aurora estava doente. Num hospital da cidade, numa enfermaria. Num imenso hospital. Olhei o retratinho dela na caderneta.

Retratinho de «passe», num sorriso de nevoeiro de uma modesta fotografia. Tão cheia de doçura a Aurora! Doente, do hospital tinha-me mandado saudades.

— Vou vê-la no próximo domingo — anunciei às companheiras. E tencionava ir vê-la mesmo no próximo domingo.

Mas o próximo domingo foi cheio de Sol. Sol do próprio astro, quente, luminoso. Igual e diferente, ao mesmo tempo, do sol-sorriso das meninas.

E eu, a professora, ainda jovem, que gostava do Sol, fui passear. Ver mar? Campos verdes? Flores?

Já nem me lembro. E da Aurora me lembraria se a tivesse ido visitar.

Começava a Primavera.

Adiei a visita naquele próximo domingo, para outro dia, para outro próximo domingo.

Hoje sei que o amor dos outros se não adia.

Aurora esperou-me toda a tarde de domingo, na sua cama branca, de ferro.

Tinha posto uma fita vermelha a segurar os cabelos escuros. Esperava-me, esperava a minha visita, cuja promessa as companheiras lhe haviam transmitido.

Veio a família: mãe, pai, irmãos, amigos, as colegas.

— Estou à espera da professora…

No dia seguinte a doença foi mais poderosa que a sua juventude, a sua doçura, a sua esperança.

A cabeça escura, sem a fita vermelha, adormeceu-lhe profundamente na almofada, talvez incómoda, do hospital. Sabemos todos já, amigos, que há vida e morte. Também isso temos de aprender.

Não fiquem tristes por isso. Vejam como as flores nascem quase transparentes da terra, como as podemos olhar à luz do Sol, e morrem, para de novo nascerem.

Lembrem-se como de um ovo de pássaro podem sair asas que voem tão alto em dias de Primavera. E morrem, também, e todas as primaveras nascem de novo. E, sobretudo, lembrem-se do coração de cada um de nós, desta força imensa.

E não adiem os vossos gestos. Procurar alguém que sofra, que precise de nós, nem sequer é um gesto generoso, deve ser um gesto natural que se não adia.

Às vezes até precisamos uns dos outros para dizermos que estamos felizes, contentes. Só para isso. Mesmo felizes precisamos dos outros.

*

Aurora ensinou-me para sempre esta verdade.

As lágrimas que por ela chorei já não lhe deram aquela visita do próximo domingo.

Nem a mim a alegria de a encontrar sorrindo, cheia de doçura, com uma fita vermelha a prender os cabelos escuros. Vermelha de sangue, como a vida. O Sol. Flores vermelhas.

Aurora era o seu nome. E a sua vida uma manhã apenas que, na minha distracção ou egoísmo, não tive tempo de olhar. Uma manhã com uma fita vermelha. Que lágrima nenhuma pode reflectir.

Matilde Rosa Araújo
O Sol e o Menino dos Pés Frios
Lisboa, Livros Horizonte Lda, 2001

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que será?