domingo, 31 de janeiro de 2010

A minha Cuca...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O meu avô. Um grande republicano... Viva a República!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mais uma preciosidade do Brasil

BRASIL

Juão
22 /abril/2000


De branco tenho pouco.
Por dentro,
Sou negro e índio,
De uma mescla,
Que nem sequer se imaginou.
Sou rouco
De tanto cantar.
Minhas pernas,
Antes livres das matar usar,
Pesam presas do branco amarrar.
Minhas mãos tem calos
De tanto transformar,
E minha cabeça dói
De jacá carregar.

Foi sempre assim,
Negro e índio que sou:
Muito chicote no lombo,
Que nem sequer desejou.
Foi.
O destino ensejou
E Maira - Monan,
O herói civilizador dos Tupi
Visualizou.

Minha cabeleira caiu.
Cabeça raspada
Gingado no pé,
Grito na alma,
Expresso em Cazuza:
“Brasil,
Mostra sua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim...”,
Pelado de MATA,
Calado a FACA,
Matado no PEITO.


________________________


BRASIL

_________________


Cadê o dendê ?
Cadê Guaracilê ?
Cadê Dandara ?
Cadê Tupã?
Cadê as lagoas:
Piratininga,
Itapu?
E Inoã?
Cadê as serras?
Cadê as matas?
Cadê as águas?
Cadê as Terras?
Baía da Guanabara comida.
Rodrigo de Freitas?
Quase morta,
Totalmente ferida.

Sudeste combalido,
De mim,
Brasil,
Historicamente ferido,
Por 500 anos
“A ferro e Fogo”,
Do Warren Dean.
Mistura
De tudo que deu
E eu daqui do Rio,
Que segundamente
Cabral aportou,
Olhando isso tudo,
Dizendo
Sou,
Negro com índio,
Que o branco juntou,
Maltratou,
Adoeceu,
Matou.
Mas que do resto brotou,
Apesar da mentira
Da história torcida,
Que o europeu inventou.

“Sobrados e Mocambos”,
“Casa Grande e Senzala”,
As telas,
Pinturas,
Aquarelas,
As músicas,
As danças,
As reservas,
As comidas,
As casas erguidas,
Todas as mercadorias,
Por nossas mãos talhadas:
-Trabalho-
De negro e de índio
De mãos acorrentadas.
As cores pelas peles espalhadas?
- Raças mixadas.
E tudo isso,
Que aliás,
Sou,
Mesmo em mim
Ou no outro,
Que de mim brotou
E que o colonizador usurpou,
Lá fora,
Vale.
E finalmente
Sou.

_________________


BRASIL

_________________


Negro e índio,
Salpicada...
...Sim, porque Pau Brasil,
Também fêmea sou.
Vindo da árvore,
Que a mim apadrinhou,
Também amas, índias e mucamas
Pintaram de cor,
Os brancos em suas camas
Em muitas noites de amor...
...Salpicada,
De diversos tipos de branco,
Que se em número não o são,
Sempre foram
Mais potentes que nós,
Porque cruéis,
Feitores e senhores de engenho,
Escravagistas
De negros e de índios,
Comedores de quase toda Mata.
E que,
Historicamente fadados,
Encantados e possuídos,
Estúpidos e idiotas,
Cravaram sem saber,
Uma enorme cruz na história.
Apodreceram
O Planeta,
As espécies,
O futuro,
Sem choro e nem glória.


__________________


BRASIL
BRASIL
BRASIL


__________________


Foi assim que tudo se passou.

O começo?
Antes do povo chegar?
Era só eu,
E nem de índio e Brasil vinham me chamar.
Era só, pra tudo controlar,
As matas usar e fazer sustar,
As águas pro mundo lavar,
As plantas pra comer e curar,
E todos os outros seres,
Que como eu,
Nasciam, morriam,
E assim tudo iam a transformar.


___________________


BRASIL!
BRASIL!
BRASIL!

___________________
Antes de assim me tornar ?
Era gentio
E não gente
Que aqui estava a morar.
Hoje,
O restante do que sobrou,
Massacrado,
Esquecido,
Expropriado,
Mas ainda potente,
Que há milhões de anos
O continente gerou,
E muito bem administrou,
Foi posta pra fora
Da própria cidade que,
Há 500 anos atrás,
Quando eu ainda nem havia nascido,
Índio e branco,
Por primeiro se encontrou,
Muito mais civilizadamente,
Felizmente,
Do que no atual presente.
O Henrique,
Não o Infante,
Este último presidente,
Lá na Bahia,
Mandou cercar por fora
Os restantes índios reclamantes
Dessa história mal contada,
E que de mim sobrou.

O que de índio tenho,
Ainda sequer,
Pode ser senhor!


________________________

BRASIL.
________________________
Ao ocidente cambaleante,
Que sobre meus ombros carreguei,
Nos jacás,
Nas toras de árvores cortadas,
Nas riquezas extraídas,
No lucro extorquido,
No esgotamento dos recursos naturais,
Meu corpo em vida,
Fui eu que aqui chegou,
E tudo transformou.
De mim tiraram sem dó.
Mas estou aqui
- negro e índio -
Enlaçados num só,
Salpicado de branco,
E de todas as cores,
De samba,
De bumba meu boi,
Da fartura na mesa simples,
Da farinha,
Do copaíba,
Do gingado,
Da malemolência,
Do cuidado,
Que esse povo tem.

Povo eu,
Que em mim mesmo sou.


________________________


BRASIL!
BRASIL!
BRASIL!


________________________

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Miséria na cultura: decepção e depressão

«...Para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se notam por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da “condição humana”. Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a busca do “bem viver”, base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer ter menos para ser mais.

Isso é esperançador. Nessa direção há que se progressar.»

Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível (3 vol.) Vozes 2008.

Tempo para milagres


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Minha Escola

Esta é uma escola, ponto de chegadas e de partidas, de encontros e desencontros, de amores e desamores, de crescimento… Como qualquer outra escola!
Esta é uma escola, mas não é a minha escola.
Aqui passo uma grande parte dos meus dias, cruzo-me diariamente com centenas de pessoas, miúdos e graúdos, alunos, os meus colegas e funcionários, mas os nomes deles, tantas vezes, não os sei. Estamos anos a conviver com tantas pessoas que nunca chegamos a conhecer, realmente. E é estranho, sobretudo por ser um espaço de gente!
Aqui trabalho, tenho um nome e uma missão, um objectivo: levar os meus alunos mais longe, custe o que custar, doa a quem doer… E já vi tanta dor, dor que não se imagina! Mas também finais felizes, nomes que nunca mais se esquecem, expressões de alívio e de felicidade que nos preenchem a alma e a vida.
Aqui partilho o meu saber, aprendo e dou a aprender, abro caminhos à espera de revelações. Aqui partilho alegrias e tristezas, vidas e martírios, glórias e decepções. Aqui aprendo a vida, feita de tantos desalentos, de fome e fúria, de famílias em farrapos. Aqui soam risadas, brincadeiras felizes, correrias alegres, aqui voam bolas, deslizam berlindes, festejam-se alegrias e choram-se tristezas.
Aqui dou a ler mais, recebo mais a ler! Construímos uma rede de aventuras, risos e sorrisos, lágrimas e mistérios, amores desencontrados que viveram felizes para sempre. Aqui blogo! E adoro blogar no Leituras e Olhares, que poucos olham…
Aqui vivi o início do meu cancro, com lágrimas partilhadas nas poucas aulas que dei nesse ano, mas foi aqui que recomecei, que recuperei o gosto pelo meu trabalho, graças a algumas pessoas excepcionais que me receberam de alma aberta apontando o meu caminho quando me sentia insegura, apoiando as minhas aventuras, empurrando-me quando eu não queria ir…
Aqui encontrei a amizade, real, sentida e vivida!
Mas esta não é a minha escola…
Na minha escola as pessoas são delicadas e afáveis.
Na minha escola as pessoas cumprimentam-se.
Na minha escola as festas são para todos.
Na minha escola não há invejas…
Na minha escola partilha-se!
Na minha escola as pessoas sentem-se bem.
Na minha escola descomplicamos e ajudamo-nos uns aos outros.
Na minha escola fazemos, sabemos e sabemos fazer, fazemos por amor.
Esta ainda não é a minha escola.



Maria Helena Salvação Barreto
Novembro de 2009

Faça lá um poema...


Quando eu estava no colégio
Conheci uma rapariga
Começámos a conversar
E ela ficou minha amiga!


Ela é muito querida!
E também muito bonita!
E para ela eu era
A Rita Catita!!!

Rita Gateira

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pelo Sudão

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Adivinhem de quem? Da Rita G. pois claro!

Gosto de inventar poemas! 
Tenho muita imaginação! 
E se a minha professora gostar
todos lerão esta composição!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O primeiro do ano! da Rita G., claro!


Quem sabe se um dia
tu irás acordar
para ver o sol nascer
e os passarinhos a cantar?